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Opinião

Fica ocupado e não chateies

Fica ocupado e não chateies

Não resta a menor dúvida de que os profissionais da saúde, a começar pela classe médica, estão a subir de cotação na consideração dos portugueses.

No que respeita ao seu emérito trabalho, no diagnóstico e combate ao malfadado vírus, já ninguém tem dúvidas, e mesmo que as serenatas de palmas que lhes são dedicadas em várias noites possa ser o efeito de imitação do que foi feito antes em outros países, nenhum médico ou outro profissional de saúde duvida hoje do enorme capital de gratidão que acumularam nos cidadãos portugueses.

Mas foi notícia ontem, no nosso JN, mais um grande motivo e uma excelente iniciativa nascida por acaso no Hospital de S. João, que se destina a combater uma outra doença, esta bem menos grave, mas com muito mais "infetados". A iniciativa chama-se #ficaOcupadosaojoao e esta ideia surgiu da parceria com a Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico do Porto (ESS-IPP). Claro que tentando aligeirar um pouco o tema, estes médicos que velam pela saúde mental dos portugueses no fundo querem passar uma mensagem do tipo "fica ocupado, não me chateies". Mas, em boa verdade, se as pessoas que têm sofrido diretamente com a Covid-19 são muitas e ainda vão ser muitas mais, de acordo com as previsões disponíveis (e já não falo daquelas previsões catastrofistas feitas por matemáticos que percebem mais de números do que de doenças), o número de pessoas que é afetado (e não infetado) com esta situação é muitíssimo maior.

Não me compreendam mal. Claro que a prioridade das prioridades e o centro de todas as atenções são as pessoas infetadas e aquelas que correm maior risco de também o serem. Mas tal como a economia do país não pode nem deve parar, também as atenções e alguma preocupação têm que sobrar para os portugueses que ainda só estão afetados. A declaração do estado de emergência, os apelos e intervenções quase sempre muito oportunos dos governantes da saúde servem e têm servido muito bem para que quem tem dois dedos de testa perceba que a situação não está nem é para brincadeiras. De qualquer forma, a pensar nos tais milhões de afetados que graças a Deus não são milhões de infetados, iniciativas como esta do #ficaOcupadosaojoao são seguramente uma ajuda preciosa.

Por outro lado, gostaria também de deixar aqui uma sugestão a quem de direito. Tendo em conta que o número de recuperados não tem qualquer correspondência com a realidade, porque não é essa a prioridade, sugiro que ao lado dos números que dão conta dos infetados, testados e internados, também pudesse aparecer um número que refletisse a diferença entre a população portuguesa e a soma dos restantes números. A rubrica com este número podia ter o título de "afetados".

*Empresário

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