O Jogo ao Vivo

Opinião

Finalmente profissionais!

Finalmente profissionais!

Estava a jantar com o meu amigo Rui Zink quando a nossa conversa resvalou inopinadamente para a análise da situação política. Não me recordo o que a empurrou para esses terrenos mas sei que acabou connosco a fazer uma comparação entre o Portugal onde pontificavam Passos Coelho e Cavaco Silva e os nossos dias de hoje onde Marcelo Rebelo de Sousa coabita com António Costa.

Apesar de não terem corrido muitos anos entre estes dois momentos da nossa vida coletiva, tudo parece radicalmente diferente. A convicção generalizada e partilhada entre as nossas duas visões, a minha Direita desalinhada e a desarrumada Esquerda dele, é que agora estamos, nós e o país, muito melhor do que estávamos antes.

Tentamos ir atrás das diferenças nos diversos aspetos da realidade do Estado e das condições em que os portugueses vivem e o resultado dessa viagem pareceu-nos surpreendente. Na Educação não fomos capazes de notar modificações relevantes e até o líder da FENPROF acabou de comunicar a renovação da sua liderança sindical, consciente de que nenhuma mudança ocorrida o fez mudar de opinião ou atitude. Olhando para a Saúde, recordamos as críticas de sempre dos seus profissionais e utentes, e concordamos que grosso modo quase tudo se mantém como dantes no que o nosso SNS tem de bom e naquilo de que se queixam amiúde médicos e enfermeiros. Desviando a atenção para a Justiça, a conclusão é muito semelhante. Temas como a discussão da autonomia do Ministério Público, a falta de celeridade dos tribunais, os salários dos juízes ou a polémica permanente à volta das reiteradas violações do segredo de Justiça não começaram com Marcelo e Costa, mas também não acabaram na vigência desta dupla. Tomando o pulso à Economia e às Finanças, não nos ficaria bem negar a subida ou descida de alguns indicadores sempre na direção positiva, mas nas previsões e ênfases anuais dos nossos "revisores de contas" lá aparecem as preocupações recorrentes, as ameaças habituais e os avisos de cautela tradicionais. Em resumo, o que dizem estes gurus nacionais ou internacionais é que a coisa melhorou mas pode piorar, que é só um bocadinho diferente de quando se dizia que as coisas estavam mal, mas podiam melhorar. Mesmo nas questões que dependem mais da Natureza que dos homens, as alterações climatéricas continuam a não se alterar muito, mantêm-se os incêndios quando o calor aperta, as marés vermelhas nas águas de Albufeira quando os ventos são de feição, as nortadas a norte e as discussões sobre o aquecimento global num mês de junho que mais parece fevereiro ou novembro.

Aqui chegados, terminada a viagem, qual foi a conclusão? O que realmente mudou do consulado Passos Coelho/Cavaco Silva para a atualidade explica-se em duas palavras: finalmente profissionais. O que faz toda a diferença.

Empresário