Opinião

Foi em setembro que renasci

Foi em setembro que renasci

O novo normal é estarmos quase normais de novo. Com a chegada auspiciosa do mês de setembro, já muito voltou a ser o que era. Nem tudo, nem todos, mas o ar que se respira hoje, mesmo que aqui e ali ainda filtrado pela máscara, já é outra coisa. Mais leve e mais arejado. Respiramos com mais confiança, mesmo quando respiramos fundo.

Batemos no fundo mas já nos estamos a levantar sustentadamente. Os sinais são iniludíveis. Montam-se as feiras enquanto se desmontam os hospitais de campanha. Enchem-se as esplanadas sem precisarem de fechar as salas interiores. Mostram-se os certificados digitais em vez de andarmos a enfiar zaragatoas a torto e a direito nas narinas, por dá cá aquela palha.

Foi em setembro que renasci, podia ser o novo verso daquela canção do nosso colega que ataca nas páginas de desporto Victor Espadinha. Foi em setembro que te conheci, cantava ele. Foi em setembro que renasci é o que vamos poder cantar quase todos agora.

Mesmo para quem tenha medo de desafinar, uma volta rápida na Baixa da nossa cidade do Porto já nos dá vontade de cantar outra vez. Voltaram os turistas de cá e de fora e andam em grupos pela Baixa fora . Desde 31 de agosto que os dedos das mãos e dos pés, de várias pessoas, já não chegam para contar as empresas que voltaram a viajar e a participar em feiras em quase todo o Mundo.

Conheço de perto o que está a acontecer no setor têxtil, têxtil-lar e vestuário, onde já tivemos mais de 20 empresas em Munique, na semana passada, mais algumas em Paris e Amesterdão, nesta semana. Sendo que nas duas próximas semanas vamos ter mais de 70 empresas portuguesas a expor em Madrid, na Momad, e em Paris, na Première Vision. Se isto não é a retoma, onde é que está a retoma?

Onde não está, nem ninguém a vê, é nas cabeças dos senhores e senhoras que andam a gerir os procedimentos colaterais nos casos de covid que ainda resistem. Uma amiga minha que já teve covid em março de 2020 e já está há meses vacinada com a dose que a deixaram tomar, tem agora a filha infetada. Entrou de imediato em isolamento profilático. Cinco dias depois, testou negativo, como a restante família. Mas vai continuar sem poder ir trabalhar. Em casa. Isolada. Profilaticamente. Até completar 14 longos dias. Entretanto, a filha há de voltar à sua vida normal uns dias antes da mãe. Que não renasceu em setembro.

Em setembro, tantos dias sem fazer nada e nem conheceu o Espadinha.

PUB

*Empresário

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG