Opinião

Hora a hora Deus melhora?

Hora a hora Deus melhora?

Em Portugal, como em quase todo o Mundo, há coisas que melhoram com o tempo e coisas que não só não melhoram, como pioram. Dito isto assim aqui a partir do Porto, a primeira coisa que nos vem à cabeça é logo o vinho do Porto, esse néctar precioso que só por si foi capaz de inspirar o famoso dito popular "és como o vinho do Porto: quanto mais velho, melhor".

Serve esta lengalenga para introduzir duas situações que têm evoluído ao longo dos últimos tempos, lá está, uma melhorando e prometendo ainda melhoras e outra piorando e não augurando nenhuma melhoria para os anos vindouros.

1 - Hora a hora, a TAP melhora

Não me vou ocupar aqui daquilo que já é conhecido das medidas adotadas pelos novos donos da TAP e que tem merecido por parte da Câmara do Porto e muitas outras instituições regionais críticas acérrimas, porque seria chover no molhado. Aliás, tenho tipo oportunidade de acompanhar aqui no nosso JN muitas opiniões e comentários (uns mais esclarecidos do que outros) mas se escolhi este tema foi para me juntar à atualidade do novo serviço que a TAP lançou, segundo consta até para tentar apaziguar de certa forma o demónio que soltou na região com o cancelamento de várias rotas europeias. Não fui cliente no primeiro dia da nova ponte aérea, porque na segunda-feira cheguei a Lisboa proveniente de Faro, mas ainda no aeroporto fui interpelado por dois conterrâneos que não conhecia de lado nenhum e que me deram conta das várias peripécias, atrasos e cancelamentos que pelos vistos ficaram a marcar a estreia do novo serviço. Devo dizer que nesse momento fiquei sinceramente preocupado porque já tinha adquirido o bilhete com que me iria estrear na TAP Express no dia seguinte, ontem. Claro que quando há um serviço novo que se presta, devemos sempre dar algum tempo antes de formular juízos definitivos sobre ele. Lá está, para saber se com o tempo esse serviço vai melhorando ou piorando. Claro que apenas 48 horas de funcionamento é muito pouco para extrair já conclusões definitivas, mas ficaria de mal com os portuenses que me contactaram, se aqui não desse conta desse mau arranque, como ficaria de mal comigo se não referisse a minha experiência positiva logo no dia imediato.

Devo confessar que quando vi chamarem ponte aérea a um serviço que tinha horas marcadas para os voos em qualquer uma das direções, obrigando cada passageiro a optar por um dos horários com antecedência, logo achei que o conceito estava um ponto adulterado. Mas nada melhor do que experimentar. Tinha voo marcado de regresso ao Porto ontem pelas 13 horas. Aquilo que me prendia em Lisboa até tão tarde acabou por ser cancelado, pelo que fiquei pronto e desejoso de voltar à Invicta o mais cedo possível. Cheguei ao aeroporto ainda não eram 10 horas e embora preparado para esperar as três horas que faltavam para a minha reserva, resolvi ir perguntar ao balcão da ponte aérea se não haveria forma de eu "entrar na ponte" mais cedo. Para minha surpresa, afinal no "mindset" dos funcionários está o verdadeiro conceito de ponte aérea que é, neste caso, facilitar ao máximo a entrada dos passageiros no avião, bastando para isso que exista lugar, sem outras burocracias maiores. E foi assim que sem custos acrescidos ou tempo de espera desnecessário, eu ontem pude regressar ao meu escritório muito mais cedo do que esperava, graças à ponte área da TAP Express que realmente para mim, e tanto quando sei, neste segundo dia, já teve um funcionamento do nível esperado.

2 - Banco a Banco, a supervisão piora

Aquilo que parece não haver meio de melhorar com o tempo é a questão da regulação da atividade bancária. Depois de ter assistido ao desfile sucessivo de situações inacreditáveis com o BPN, BPP, BES e Banif, fiquei estupefacto com a entrevista que o dr. Carlos Costa deu à revista do "Expresso" e que só tive ocasião de ler ontem. Para além dos muitos "recados" de que a entrevista está cheia (e imagino a quantidade de pessoas que teve de enfiar barretes) a parte que mais me impressionou foi aquela em que qualquer leitor com média compreensão do assunto fica a perceber que nada nos garante que daqui para a frente outras situações semelhantes não nos possam aparecer ao virar da esquina.

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