Opinião

A cultura, essa nova "aldeia gaulesa"

A cultura, essa nova "aldeia gaulesa"

Tanto quanto sei, os livros do Astérix, na linha das sagas do Tintim, são leituras obrigatórias para leitores dos 7 aos 77 anos. Julgo até que nos dias que correm, este leque devia ser alargado ou corrigido para a faixa dos 8 aos 88 ou até com alguma ambição dos 9 aos 99. Por um lado, é mais ou menos consabido que o humor em forma de letra cada vez exige mais alguma idade no início, mas também cada vez se estende e dedica aos seniores com idades mais avançadas.

Sendo assim evitarei gastar muitos carateres com a explicação da tal aldeia gaulesa que menciono no título. Muitos como eu saberão que esta era a terra, a última bolsa de resistência aos malvados dos romanos, habitada pela tribo de Astérix, Obélix e companhia. No passado fim de semana, estive com gosto especial em Valongo (que como o próprio presidente da Câmara, José Manuel Ribeiro, fez questão de esclarecer é na periferia do Porto), a participar em mais um capítulo da Confraria do Pão, da Regueifa e do Biscoito, que lá tem a sua sede e muita da sua razão de ser. Nesse magnífico e muito concorrido evento, o presidente da Câmara, com quem já trabalhei muitos anos noutras lides ligadas à promoção internacional dos têxteis e da moda portugueses, justificou a aposta forte que o seu município tem feito na cultura como forma de assinalar e estimular os fatores que podem fazer a diferença na afirmação e reconhecimento da identidade de Valongo e dos valonguenses.

Da bondade e verdade desta política no que toca a Valongo, são os seus autarcas e a sua população que avaliarão, julgarão e dirão da sua justiça quando chegar a hora das próximas eleições autárquicas. Mas devo dizer que tenho para mim que essa aposta na cultura, aliada à grande preocupação de afirmação da identidade de uma região, é no quadro geral da União Europeia uma luta cada vez mais urgente e importante. Como igualmente não tenho nenhuma dúvida que para muitas destas regiões menos bafejadas pela fortuna, à falta de recursos e outras armas de maior envergadura, aquilo que sobra para a defesa desse seu património e afirmação dessa sua identidade são exatamente as suas diferentes formas de cultura. Claro que esta cultura entendo-a em sentido lato, pelo que aqui se devem compreender todas as manifestações que hoje em dia já ninguém recusa que sejam incluídas no património e ADN cultural de uma determinada região e população, da música à literatura, do teatro à arquitetura, da dança à bela da regueifa. Neste sentido, a cultura é hoje uma espécie de aldeia gaulesa no Mundo globalizado de que já não escaparemos mais.

* EMPRESÁRIO