Opinião

A dra. Assunção e o dr. Rio não me telefonaram

A dra. Assunção e o dr. Rio não me telefonaram

Gostava de começar por assegurar aos estimados leitores que o título não é nenhuma "fake news". Dá-se até o caso de conhecer pessoalmente tanto a dra. Assunção Cristas como o dr. Rui Rio, mais recentemente a atual líder do CDS, há bastantes mais anos o dr. Rui Rio, com quem até cheguei a fazer "equipa" nas "Conversas de escárnio e mal dizer" da TSF, ainda no tempo de Emídio Rangel. Seja como for é óbvio que nunca nenhum dos dois me ligou, aliás confirmo que eu próprio também nunca telefonei a nenhum deles e embora atravessemos um tempo em que as metáforas e as caricaturas são altamente perigosas, na verdade o título desta crónica não é para ser entendido em termos literais.

Desde que começou a saga da aprovação na Comissão Parlamentar da Educação do já tão badalado diploma legal que visava possibilitar o pagamento de retroativos aos professores, tive de me deslocar por razões profissionais a variadas terras portuguesas, nomeadamente Trofa, Famalicão, Guimarães, Fundão, Covilhã e Viseu. Em todas estas belas localidades do nosso Portugal o tema de conversa, a dado passo, sempre foi dar ao tema do momento, ou seja, à questão da nova "dupla geringonça" e à ameaça de demissão do Governo de António Costa. Não houve uma única pessoa com quem eu tivesse discutido o tema, e devo esclarecer que foram dezenas, que concordasse ou sequer percebesse a atitude ou as razões que levaram PSD e CDS a votar a tal proposta lado a lado com Bloco de Esquerda e PCP. Posso até acrescentar que para além da maior parte das pessoas com quem falei serem eleitores habituais dos dois partidos mais à direita, ainda incluo neste lote alguns responsáveis políticos locais e nacionais destes partidos (que só não nomeio porque não pedi autorização para tal e não os quero embaraçar), mas também eles mostraram a sua incredulidade pelo sucedido. Como comungo igualmente desta opinião praticamente unânime, resta-me concluir que os senhores dirigentes e deputados do PSD e do CDS que tomaram estas decisões provavelmente não terão tido a maçada ou a lembrança de perguntar a outras pessoas (que não apenas aos seus pares) o que é que achavam que deveriam ter feito. Consumado o recuo em toda a linha, o que apesar de tudo sempre configura um mal menor, eu acabo como comecei: se a dra. Assunção ou o dr. Rio me tivessem telefonado, talvez tivessem poupado esta enrascada em que se meteram. Desfazendo a caricatura , quando eu digo que me podiam ter telefonado, é óbvio que estou a querer dizer que bastava terem falado com duas ou três pessoas fora do seu círculo ou como se diz em "politiquês", com dois ou três elementos da chamada sociedade civil, que logo teriam percebido o disparate.

* EMPRESÁRIO