PRAÇA DALIBERDADE

A galinha da vizinha

A galinha da vizinha

A galinha da minha vizinha é sempre melhor que a minha? Nos tempos modernos, política e sexualmente corretos, devíamos já corrigir o ditado, agora menos popular, para uma formulação tipo a galinha e o galo da vizinha e do vizinho são melhores que a minha e que o meu. Pensando bem, talvez resolva a disputa dizer qualquer coisa como o galináceo dos vizinhos é melhor que o meu. Isto, enquanto o deputado do PAN e várias associações amigas dos animais não vierem protestar, perguntando o porquê deste destaque dos galos e das galinhas quando há gatos e gatas, coelhos e coelhas, sapos e rãs, passarinhos e passarinhas... que também existem nas casas dos vizinhos e das vizinhas.

Seja como for, as únicas espécies que hoje entram nesta crónica são o camarão e o porco e, como se trata de animais que já me chegaram ao prato na condição de "falecidos", julgo poder evitar aqui essa suprema e magna questão de averiguar se as plumas que tanto me encantaram e saciaram a fome saíram do lombo de um porco ou de uma porca.

Já a questão da vizinhança levantada acima é uma comparação em sentido lato com a situação que vos passo a explicar e esta crónica vai continuar a ser mais explicadinha do que é habitual, porque hoje estamos a meio de agosto e como se isso não bastasse, ainda por cima num dia feriado.

Sou um cliente frequentíssimo de restaurantes, seja para refeições de trabalho com clientes ou fornecedores, seja pelo puro prazer do lazer. Sempre achei que ter os pezinhos debaixo da mesa é uma das melhores formas de meter os pés ao caminho... de uma boa negociação. Mesmo nos dias em que o negócio é só comigo e com a gastronomia portuguesa.

Como sou nado e criado no Porto, onde vivo e tenho escritório montado em Matosinhos, é por estes lados que mais "ataco" e sou um militante promotor dos muitos e bons restaurantes destas duas cidades. Mas hoje convoquei para este espaço um restaurante de Lisboa, lá está, mas não o faço por achar que a galinha da vizinha é sempre melhor que a minha. Até porque, mesmo num mundo em que 300 quilómetros são um pontinho, Porto e Lisboa não são propriamente cidades vizinhas. (E se a conversa fugisse da mesa para a bola, nem de boa vizinhança poderíamos falar).

Concordando que estamos no pino do tempo de férias, pensei também nos leitores que possam estar para as bandas da capital ou lá queiram ou tenham de passar a caminho ou no regresso do destino de férias escolhido. Acontece aos melhores. Sendo esse o caso, recomendo que subam até perto do Castelo, onde entre a sede do CDS no Largo do Caldas e o Chapitô, fica o Zambeze, um restaurante com muita graça, uma vista deslumbrante sobre o Tejo e o Terreiro do Paço (sabe bem olhar para lá de cima...) e várias propostas gastronómicas luso-moçambicanas de grande categoria. Estive lá na noite de segunda, servido por um sósia do Brahimi e se forem no mínimo em registo de casal, a minha sugestão é que partilhem o camarão à Laurentina (que só por ter criado este prato já merece uma estátua ao lado da do Eusébio) e as plumas de porco preto com risoto de cebolas, que foram os meus 19 euros mais bem gastos dos últimos anos.

Bom proveito, bom feriado e... boas férias, se for esse o feliz acaso.

*EMPRESÁRIO

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