O Jogo ao Vivo

Opinião

A paz, o pão, habitação, saúde e também educação

A paz, o pão, habitação, saúde e também educação

Só houve liberdade a sério quando passou a haver liberdade para mudar e decidir, como cantava Sérgio Godinho. Na semana em que se comemoram os 45 anos do 25 de Abril gostaria de me associar a esses festejos de duas maneiras muito simples.

Por um lado estou de alma e coração com aqueles portugueses e portuguesas (como agora se diz) que se esfalfam todos a puxar pela necessidade de valorizar esta liberdade, combatendo algumas ideias ou comportamentos que parecem querer desvalorizar a transcendente relevância dessa conquista.

Por outro lado também enfileiro ao lado daqueles que recusam outras ideias e comportamentos que confundem a liberdade e o direito à liberdade de expressão num Estado de Direito, com as mesmas expressões e manifestações do regime anterior. Quando soaram os primeiros acordes do "E depois do adeus", estudava no Liceu António Nobre e desde esse dia percebi logo que tinha que acrescentar à minha formação liceal mais esta "cadeira" da democracia e liberdade. Com a curiosidade própria da juventude desde logo gastei muito do meu tempo livre a formar o meu espírito e as minhas convicções nesta nova "cadeira" política e fi-lo com um empenhamento tão grande que com 16 anos já participava como orador em sessões políticas de esclarecimento promovidas, nomeadamente, pelo CDS.

Puxo destes galões e desta antiguidade no posto para se perceber melhor o que penso sobre aqueles jovens ambientalistas que interromperam esta semana um evento privado em que o Partido Socialista comemorava 46 anos. Não preciso de ser socialista ou do PS para ser um defensor acérrimo do direito à liberdade de expressão em conceito lato e dela até tenho feito uso bastas vezes em muitas intervenções públicas, tanto em jornais e revistas como até em televisão. Daí que seria muito estranho que tivesse hoje opinião diferente desta.

Outra coisa é confundir este valor da liberdade e este direito à liberdade de expressão com o que aconteceu no jantar de aniversário do PS na FIL. Mutatis mutandis foi como se eu tivesse organizado uma festa privada em que meia dúzia dos meus convidados se convencessem que o facto de terem pago o jantar lhes dava o direito de me estragar a festa, com o pretexto de se manifestarem, por exemplo, contra o meu gosto de vestir de azul só porque as roupas estampadas ou tingidas são nocivas para o ambiente. Aquilo que os manifestantes contra o Aeroporto do Montijo fizeram na festa do PS não é nenhum exercício de liberdade de expressão. É apenas e só má educação.

Ainda por cima, excetuando o episódio dos aviões de papel a sobrevoar o jantar, nem sequer teve graça.

* EMPRESÁRIO