Opinião

Andará tudo a dormir na nossa Região Norte?

Andará tudo a dormir na nossa Região Norte?

Se o Norte fosse um país seria o quarto mais pobre da União Europeia. Este título da página 10 do nosso JN de ontem devia servir para que todos os nortenhos percebessem de vez o mal que à região tem feito o sistema centralista que nos tem governado, tanto no tempo do Estado Novo como desde que somos uma democracia.

Já agora também devia servir para todos percebermos que o sucesso atual e recente das cidades como Porto, Guimarães ou Braga tem servido para "disfarçar" a performance e o estado a que chegou a nossa Região Norte.

É absolutamente ridículo que na comparação com os outros países da União Europeia, o Norte, se fosse um país, apenas suplantasse a Bulgária, a Croácia e a Roménia, ficando atrás de países como a Letónia e a Hungria e muito atrás de países como o Chipre, a Eslovénia e a República Checa. Não deixa de ser curioso salientar que a Área Metropolitana de Lisboa, também considerada como um país para esta questão, ficaria numa posição superior à Região Norte, evidentemente, a todos os países já citados atrás e ainda à frente de outros veteranos da União Europeia como a Itália e a Espanha. Só ficando ainda atrás da chamada Europa dos mais ricos, do Reino Unido e da Alemanha, da Irlanda, da Suécia e da Holanda entre outros. Não se venha outra vez com o argumento de que o país é pequeno para ser dividido em regiões e que pela mesma razão a Região Norte seria apenas uma ínfima parte desse país já de si tão pequeno. É que neste quadro e nesta notícia de ontem também vemos com suprema minoria que o número um da lista é o Luxemburgo, com uma área muito mais pequena que a Região Norte, mas não só, porque outros países mais pequenos e até bem mais pequenos do que Portugal muito bem classificados neste ranking como a Áustria, a Holanda e até Malta.

Os dados do Eurostat dizem que no fim de 2017 a Região Norte atingiu apenas 65% da média europeia logo seguida pela Região Centro, com 67%, Alentejo, com 72%, Madeira, com 73% e Algarve, com 83%. Mas o pior de tudo é que comparando esta situação com o ano 2000 nenhuma destas regiões melhorou. Também dá que pensar a informação de que a Região Norte é também a que mais tem contribuído para o crescimento económico de Portugal a seguir à saída da troika.

Posto isto e ao fim destes anos todos era da mais elementar justiça que o Estado português assumisse esta vergonha nacional e permitisse que a instituição da regionalização concedesse à Região Norte (que é dela que agora me ocupo) uma oportunidade diferente para poder provar que com um sistema administrativo alternativo é realmente possível atingir outras performances.

Como é evidente, e porque vivemos, felizmente, em democracia, terão que ser os nortenhos a fazer essa "exigência" através do voto, seja em referendo, seja votando em partidos e deputados que não tenham medo, nem vergonha, de se apresentarem ao eleitorado com a garantia de que o voto do Norte nos seus projetos implica a instituição de uma reforma administrativa séria e concreta. Não é a primeira vez que defendo publicamente a necessidade de comprometimento dos eleitos por esta região com este objetivo regionalista, mas escusam de ficar descansados que, enquanto me deixarem, também não será a última, especialmente e sobretudo quando as notícias como a de ontem me recordarem com toda a evidência as várias facadas que muitos políticos desta região já cravaram nas nossas costas.

*Empresário

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