Opinião

Foi você que pediu uma Elisa Ferreira?

Foi você que pediu uma Elisa Ferreira?

Foi o estimado leitor que pediu uma Elisa Ferreira, comissária europeia? Eu pelo menos não fui, mas estou tão contente com esta escolha que até me apetece brindar com um Porto Ferreira que está associado à pergunta do título.

Há quem defenda que as maiores alegrias são as inesperadas, aquelas com que não contamos mesmo que desejadas e por isso conheço e percebo muito boa gente que fica mais eufórica quando o Benfica perde 7-1 com o Celta de Vigo ou 5-0 com o Basileia, do que quando o seu clube do coração, F. C. Porto (como no meu caso) ou Sporting ganham um jogo qualquer.

Conheço a Elisa Ferreira desde os tempos em que superintendeu na então Associação Industrial Portuense, hoje AEP, e desde essa altura que tenho por ela muita simpatia mas sobretudo uma grande consideração e admiração. Se descontar talvez aquela candidatura autárquica (onde, aliás, nunca a senti completamente rendida ao projeto) toda a carreira que fui acompanhando como pude é um exemplo de competência, disponibilidade e afabilidade, que pede meças a quem quer que seja sem grande constrangimento. Acrescente-se ainda que quando tudo começou, para ir singrando na sua vida profissional e na sua carreira política nunca precisou sequer desta moda das quotas e paridades, que muitas vezes revelam boas intenções mas depois se revelam um desastre nas aplicações práticas. Se for verdade, o que francamente duvido, que a sua indicação só aconteceu pelo pedido feito pela nova presidente da Comissão Europeia para cada país lhe indicar um candidato e uma candidata, até estamos perante uma ironia divertida.

Como já escrevi, fico muito satisfeito com esta escolha, mas agora a fasquia sobe, uma vez que deposito enormes esperanças nos resultados do seu trabalho em Bruxelas. Mais uma vez não acredito que a pasta que lhe foi atribuída tenha sido um acaso da sorte ou de qualquer sorteio, mas sim fruto do seu currículo devidamente analisado e interpretado por quem teve a responsabilidade da escolha. Não é a primeira vez que Portugal escolhe bem um representante para cargos na Europa, mas talvez seja a primeira ou uma das poucas vezes em que a Europa conseguiu retribuir esse mérito com uma escolha do mesmo nível.

Com Elisa Ferreira à frente das decisões europeias relativas aos Fundos de Coesão, Portugal fica bem servido, mas a Europa fica ainda melhor na fotografia por ter entregue essa responsabilidade a quem conhece e sente como sua uma região como o Norte, que está na linha da frente das regiões que mais precisam dessa coesão que tanta falta faz ao conceito essencial da União Europeia.

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