Opinião

Guimarães mostra a sua raça

Guimarães mostra a sua raça

Esta crónica de hoje podia ser mais uma crónica sobre uma nova e forte participação de empresas portuguesas numa feira internacional. Poder, podia, como irão ver. Mas acontece que vai ser muito mais do que isso, porque vai tentar contar o que é ver uma cidade a mostrar a sua raça. A raça que a distingue das outras, a raça da gente de que é feita.

Não conheço mais nenhuma cidade que seja capaz de "tomar conta" de uma feira internacional como Guimarães tem vindo a "tomar conta" da Heimtextil. Para quem não está familiarizado com a coisa, esta feira que se realiza em Frankfurt, Alemanha, uma vez por ano, sempre em janeiro, é a maior plataforma mundial da imagem e do comércio dos têxteis-lar. Os nossos fabricantes deste setor desde há muito que participam em massa neste certame, mas nas últimas edições têm apresentado uma subida espetacular na qualidade e no design dos seus produtos, que lhes tem permitido não só impressionar pela quantidade, mas sobretudo impressionar pela qualidade e dominar a área premium da feira. Claro que nem todos os fabricantes têm a sua fábrica ou sede no concelho de Guimarães, embora a sua maioria ande por lá ou por perto, no Minho e Douro Litoral.

Para ganhar uma aposta existe um requisito indispensável que é apostar. É isso que têm feito nos últimos anos a Câmara, a cidade e as empresas de Guimarães. Como português, como nortenho e como amante de Guimarães, sinto um enorme orgulho em cirandar pelos corredores da Heimtextil , no meio de grandes compradores e jornalistas de todo o Mundo, vendo e escutando os elogios, o espanto e a admiração que eles sentem e expressam por cada novo stand que aparece, espaço sim, espaço não, de uma empresa portuguesa com o nome do From Portugal, Portugal Home Textiles, mas também com o distintivo da Marca Guimarães.

Um dos aspetos que sempre me marcaram e continuam a entusiasmar nas gentes vimaranenses é o enorme apego que têm à terra onde nasceram ou vivem, lado a lado com o brio de se anunciarem com origem em Guimarães, sem que se esqueçam alguma vez do orgulho que também têm em ser portugueses. Na verdade, em Guimarães sempre se gritou bem alto que foi ali que nasceu Portugal e nunca vi nenhum vimaranense esquecer-se disso mesmo em momentos ou épocas em que Portugal, ou quem manda em Portugal, se esqueceu deles e de Guimarães. Este sentimento e este apelo são tão fortes que até uma organização alemã como a Messe Frankfurt (nem sempre mundialmente conhecidos por serem dados a estas sensibilidades...) foi obrigada a perceber que esta cidade portuguesa tinha de ter um espaço especial, um protagonismo carismático, numa feira que recebe expositores e compradores de milhares de cidades de todo o Mundo. Um bocado na linha, à sua escala, do que a Nazaré tem conseguido com as suas ondas, o seu surf e os seus surfistas, Guimarães, num patamar já muito mais elevado, conseguiu uma afirmação mundial no reino dos têxteis-lar, que engrandece a cidade e a região, mas também enobrece todo o setor e Portugal inteiro. A Heimtextil abriu ontem com excelentes perspetivas para a maioria dos nossos expositores e 2018 já começa a prometer ainda mais sucesso nas exportações de um setor que, prestes a fechar os números de 2017, já quase garantiu o seu melhor ano de sempre. Pelo que foi possível sentir em Frankfurt, acho que este título vai durar só um ano, mas estes títulos, bem ao contrário de outros, dá muito gosto perdê-los.

* EMPRESÁRIO

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