Opinião

Muita força, amigo Paulo!

Muita força, amigo Paulo!

As eleições espanholas do passado fim de semana mostraram muitas e variadas facetas da realidade política atual na Europa, mas também constituíram uma lição para quem quer aprender como se lida com comunidades ou regiões que anseiam por mais autonomia.

Para muitos analistas o que interessou dizer foi que a Esquerda conseguiu mais uma vitória e que a Direita mostrou a sua fraqueza sendo que até a sua nova coqueluche, o Vox, não chegou à expressão que para muitos prometera nos últimos comícios da campanha. Pela parte que me toca, ainda que me pareça que essas leituras gerais são um pouco precipitadas, o que me interessa mesmo é salientar o reforço que os partidos das regiões autónomas tiveram nas suas votações, sendo que os eleitores dessas regiões estavam perfeitamente cientes de que esse reforço ia complicar, como complicou e muito, uma solução estável de governo. Depois da forma absolutamente desastrosa como o Governo do PP lidou com a questão e com os anseios de independência da Catalunha, a resposta eleitoral que existiu no domingo devia pôr-nos a pensar que também o Governo centralista de Portugal deve olhar com muita atenção, paciência e preocupação suficiente para os anseios de maior autonomia e maior autodeterminação dos seus interesses que as várias regiões de Portugal têm vindo a manifestar.

Ainda esta semana mais uma grande entrevista do presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP) vem pôr o dedo na ferida que o centralismo nunca conseguiu fechar, mesmo depois da tão celebrada vitória no referendo que ninguém quis vencer. Esta crónica é sobretudo para desejar muita força e dar os parabéns que me merecem as declarações do presidente da AEP, o meu amigo Paulo Nunes de Almeida, que tive o prazer de ler na última edição do nosso "Dinheiro Vivo". Embora eu vá até mais longe e esteja convencido que a instituição da regionalização não precisa de novo referendo, é sempre uma alegria ver uma personalidade com o prestígio e a responsabilidade associativa do presidente da AEP vir apelar ao Governo e aos políticos de todos os partidos para que repensem de uma forma urgente e esclarecida a organização político-administrativa do país. Enquanto temos todos tempo de não entrar em escaramuças, como aquelas que na Catalunha até já chegaram ao extremo de provocar mortes, feridos e detenções em massa.

*Empresário