Opinião

No Porto e no Norte , até nos milionários somos diferentes

No Porto e no Norte , até nos milionários somos diferentes

Nos anos 90, a ANJE organizou um roadshow pelas universidades portuguesas a promover, explicar e estimular o espírito empreendedor entre os finalistas de vários cursos, sobretudo (mas não só) os de Economia e Gestão de Empresas.

Ora, para além de um dirigente desta associação e de representantes de entidades que aderiram ao conceito, como o IEFP e a CGD, existia sempre um jovem empresário que ia relatar o seu caso de sucesso.

Numa das destas sessões, na Universidade Fernando Pessoa, no Porto, assisti a um jovem empresário que começou a contar a sua experiência na criação de uma empresa de ocupação de tempos livres. À medida que ele contava a sua estória, enumerando o rol de dificuldades, azares e más previsões feitas, ia eu ganhando curiosidade em saber como acabaria em sucesso um caso que parecia fadado ao desastre, tal eram as desgraças que ia ouvindo. Foi por isso sem espanto que o ouvi desaguar na notícia da falência dessa empresa, a que se seguiu um breve silêncio do contador do suposto caso de sucesso. E da sala, que estava atónita e incrédula. Feita a pausa, o jovem empresário retomou a sua história explicando como foi então trabalhar por conta de outrem e em como pediu paciência a todos os seus credores, dizendo-lhes que ia pagar tudo o que ficara a dever, nem que para isso tivesse de fazer sacrifícios pessoais o resto da vida. Na verdade, ele era (e é !) muito bom, e ficámos a saber que em dois anos liquidou todas as dívidas e, com um saber de experiência feito, e corrigindo os erros do projeto inicial, voltou a criar uma empresa na mesma área, que até hoje continua a ser uma empresa de sucesso e é já há mais de uma década uma das referências na promoção e organização de ocupação de tempos livres, mormente em atividades de desportos radicais.

Lembrei-me deste exemplo, como me lembrei dos casos de sucesso da Sonae de Belmiro de Azevedo, do Grupo Amorim, da Salvador Caetano, da Têxtil Manuel Gonçalves, da Solverde de Manuel Violas, da construtora de António Mota, na semana em que as revistas "Sábado" e "Visão" fizeram ambas capa com os milionários que, querendo ser falados, acabaram falidos. E existe um traço comum a todos os falidos que aparecem nestas duas capas: são tudo milionários que nasceram e/ou viveram e fizeram as fortunas (que agora desfizeram) em Lisboa e arredores. Podemos achar que é fraca consolação, mas até nos ricos o Norte faz a diferença.

*EMPRESÁRIO

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