Opinião

O aeroporto da moda é filho de uma distração

O aeroporto da moda é filho de uma distração

Nunca é demais dizer bem do Aeroporto do Porto. Às vezes dou comigo a pensar quem e como terá apanhado distraído o poder centralista de Lisboa para o conseguir convencer e comprometer na construção deste Aeroporto Francisco Sá Carneiro. Como sou da velha guarda também recordo com graça que o ponto de partida era ridiculamente deprimente.

O velhinho Aeroporto do Porto, dito de Pedra Rubras, fazia corar de vergonha quem o tinha de mostrar ou apresentar como aeroporto da segunda cidade de Portugal. Lá está o povo, com a sua sabedoria, a dizer que não há fome sem fartura, mas hoje somos todos obrigados a reconhecer que é verdade que a fome era muita, mas não é menos verdade que a solução atual é boa, mas já não representa nenhuma fartura.

Apesar de nem todos remarem sempre para o mesmo lado, a verdade é que o crescimento contínuo e sustentável do movimento do novo aeroporto tem sido impressionante e tem superado as expectativas mais animadoras.

Como sou seu cliente frequente desde a inauguração, várias vezes por semana, sou uma testemunha fiável e bem informada desse crescimento vertiginoso de trânsito aéreo e de fluxo de passageiros. Mas é sobretudo nos últimos quatro anos, desde que o diretor do aeroporto, Fernando Vieira, com o apoio dos seus colaboradores mais diretos (e a cumplicidade dos responsáveis pelos acionistas da ANA e Vinci) estabeleceu o acordo com a Associação Selectiva Moda para realização do salão MODTISSIMO nas suas instalações, é que de facto ganhei perfeita consciência desse crescimento. Por causa da preparação, montagem, desmontagem e realização do MODTISSIMO que hoje e amanhã aqui realiza a sua edição 53 (e a 4.ª no aeroporto) por aqui "acampo" noite e dia durante quatro dias.

Comparar o movimento do Aeroporto do Porto agora em 2019, seja à meia-noite de domingo quando começamos a montar, seja às 5 horas da manhã quando os trabalhos têm que ser suspensos, seja nas horas normais de funcionamento entre as 10 horas e as 19 horas, com a situação que vivemos quando nos estreamos há quatro anos é comparar água choca com vinho bom.

Devo dizer, porque é justo que se diga, que se a Seletiva Moda e os expositores têm sabido ter a flexibilidade e a capacidade de adaptação necessárias para se distribuírem pelos espaços atribuídos pela Direção do aeroporto, é absolutamente evidente que se não existisse uma disponibilidade total e empenhada dos responsáveis aeroportuários, máxime, o seu diretor, para perceberem as necessidades do evento e ultrapassarem as dificuldades que surgem a cada passo sem nunca perder de vista os ditames obrigatórios da segurança de todos, já não seria possível manter o salão neste espaço.

Conjugadas todas as vontades, a partir de hoje a indústria têxtil, moda e vestuário celebra mais um dos seus dois momentos de encontro e negócios bianuais em terras portuguesas. Numa época em que outras atividades e outros setores começam a dar sinais de algum recuo, o MODTISSIMO só pode estar orgulhoso de poder apresentar uma vez mais a força de uma indústria que continua a ser capaz de atrair compradores de todo o Mundo, incluindo alguns que agradecidos pela localização do evento conseguem aterrar de manhã no salão e depois de uma dia preenchido com contactos e negócios ainda ir dormir a casa com os seus entes mais queridos.

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