Opinião

Porto, Capital Internacional da Gastronomia

Porto, Capital Internacional da Gastronomia

A nossa Cidade Invicta já é há muito e há de continuar a ser por muitos anos a Capital do Trabalho. Foi assim que me a ensinaram e apresentaram, é assim que eu a sinto e vivo desde que cá nasci, será seguramente com essa mesma certeza e imagem que dela partirei um dia.

Tendo isto como um dado adquirido, não tem mal nenhum, antes pelo contrário, que na sua evolução natural a cidade do Porto possa ir ganhando outros títulos e colecionando outras valências, que até a tornam mais inteligível para os que a demandam e cá param, vindos de outras paragens. Ainda este ano entre 14 e 16 de novembro o Porto vai ser a Capital Internacional da Gastronomia, reunindo numa cimeira produtores, nutricionistas, artistas, jornalistas, escritores, académicos e empreendedores de todo o Mundo. O que até põe a cara a condizer com a careta porque a boa Gastronomia dá muito Trabalho.

Trata-se do Melting, o primeiro summit internacional de gastronomia em Portugal, organizado pela AGAVI - Associação Portuguesa para a Promoção da Gastronomia e Vinho, Produtos Regionais e Biodiversidade em cuja apresentação tive ontem o prazer de participar durante um original evento no Mercado de Matosinhos. Durante três dias, a Invicta vai ser palco de conversas abertas, provas, almoços, jantares, apresentação de negócios e de novas ideias com alguns dos nomes mais relevantes do setor a nível mundial.

Esta "viagem gastronómica pelo Mundo" acredita, como Fernando Pessoa acreditava, que a única realidade desta vida é a sensação e aposta em mostrar e divulgar a gastronomia num estado de "melting", que faz o percurso natural entre sensações, sugestões, consciência e construção. Estes princípios dão tema aos quatro grandes painéis do evento, moderados pelo meu amigo e companheiro de várias lutas à mesa Miguel Esteves Cardoso e ainda por Ricardo Dias Felner, Nuno Queiroz Ribeiro e José Diogo Albuquerque, respetivamente.

Ontem ficamos a saber também que se esperam pelo Porto nesses dias de novembro gente com pedigree na área, como o chef Matthew Kenney, nome maior da cozinha plant-based, o guru mundial do pão artesanal Chad Robertson (dono da Tartine Bakery em São Francisco), o chef taiwanês Andre Chiang (ex-chef de cozinha do Le Jardin des Sens com três estrelas Michelin), o crítico do "The Guardian" Jay Rayner, o sommelier do famoso NOMA Mads Kleppe, o presidente do Slow Food Internacional Carlo Petrini, e Rafael Ansón, presidente da Academia Internacional de Gastronomia, entre muitos outros.

Para além dos momentos de conversa e debate, estão previstos vários espaços dedicados à mesa portuguesa, provas de vinhos e showcookings. Arte, sustentabilidade, nutrição e empreendedorismo são outros dos conceitos centrais do Melting, materializados em intervenções artísticas com excedentes, com a participação de Ricardo Nicolau de Almeida. Espaços para a partilha de livros e histórias, no festival de filmes gastronómicos Melting Movies e, ainda, um pitch para a apresentação de projetos inovadores. O recheado programa culmina com um grande jantar "Melting Dinner", o expoente máximo do evento, desenhado por grandes chefs nacionais e internacionais. Já encomendei um babete!

*Empresário