Opinião

Porto e Norte juntos e vivos

Porto e Norte juntos e vivos

"Só juntos seremos verdadeiramente Norte" foi o grande soundbite do novo presidente da entidade de Turismo Porto e Norte de Portugal, no seu discurso de tomada de posse, a que assisti ontem no forte (aliás, fortim) de São Julião da Barra, em Viana do Castelo.

Luís Pedro Martins teve casa cheia, mesmo muito cheia, por méritos que são só seus, mas senti no ar a grande necessidade atual de muitos dos agentes da Região Norte puxarem pela força da região.

Por lá vi e cumprimentei autarcas de todas as zonas do Norte, empresários também de todos os cantos desta região, dirigentes associativos e muitos representantes dos poderes tradicionais, incluindo o religioso, ou não tivesse o novo presidente no seu currículo um enorme trabalho na Irmandade dos Clérigos.

Não é segredo para ninguém que o turismo em todas as regiões de Portugal se tem desenvolvido ao sabor de ventos de feição, mas o novo presidente quis também que não fosse segredo para ninguém que não vai dormir à sombra desses louros e que tem bem presente que o Porto e a sua Área Metropolitana podem e devem trabalhar em conjunto com o restante Norte para que toda a região possa crescer mais e sobretudo mais harmoniosamente.

É evidente que pairavam no ar - e escutei em várias conversas - as novas discussões e o novíssimo debate sobre a regionalização e julgo não me enganar se disser que a manifestação de força a que assisti ontem terá enterrado de vez aquela triste ideia antiga de criar uma divisão numa região que sempre foi una e indivisível. Região Norte há só uma e mais nenhuma, e isso será sempre mais verdadeiro enquanto o Porto e a sua Área Metropolitana não esquecerem que nunca poderão ser para a Região Norte o que os centralistas da capital têm sido para o país. Aliás, basta ler, ver e ouvir o pânico e o histerismo de que já dão mostra os habituais centralistas contra a leve suspeita de que a regionalização pode voltar a ser discutida, para voltarmos a ficar cientes de que se não são os nortenhos a puxar pela Região e a fazer valer os seus direitos e interesses, ninguém o fará por nós.

Também julgo que todos terão percebido que é nestes momentos de algum crescimento e folga orçamental que se devem trilhar os caminhos do desenvolvimento em conjunto para que quando o ciclo de prosperidade se inverter já ninguém possa usar o argumento da falta de recursos para não construir as pontes necessárias.

Ontem, senti também que o Norte pode ser o partido de todos os nortenhos, sem divisões estéreis, entre supostas sub-regiões, cavalgando a boa onda da correção possível das assimetrias entre litoral e interior, entre o para cá e o para lá do Marão, concentrando-nos todos naquilo que nos une como Região, em vez de continuarmos a acentuar as diferenças que a Natureza ditou.

*Empresário