Opinião

Quero ser português aqui

Quero ser português aqui

Li ontem no nosso JN uma pequena reportagem muito interessante sobre uma família chinesa dessa comunidade que tem vindo a crescer há várias anos na região de Vila do Conde.

Desde logo saúdo o trabalho de per si, porque não faltam por aí muitos mitos e especulações à volta dessa comunidade oriental e a partir do momento em que é um dado adquirido que muitos deles vieram mesmo para ficar, é saudável que a informação sobre eles possa estar disponível para não se alimentarem mais lendas e narrativas, algumas de gosto mais do que duvidoso. Neste artigo que aqui refiro víamos uma família em que filhos menores e pais reconheciam que os jovens, apesar da origem chinesa, se sentem portugueses e fazem questão de o afirmar no presente a pensar no futuro. Esta realidade que provavelmente não sendo unânime não há de ser também única, levou-me a refletir sobre a forma como várias comunidades estrangeiras têm por cá aparecido, por cá trabalhado e por cá ficado ou também logo regressado à terra natal.

A minha convicção, que devo já dizer me alegra bastante, é a de que Portugal no contexto mundial é um país que se ama... ou se deixa (recordo-me que na minha infância havia uma frase de promoção do F.C. Porto que apelava exatamente a isso: "F. C. Porto ame-o... ou deixe-o"). No caso dos países, como é o caso de Portugal, também importa saber se o país que é amado ou abandonado é um país que se deixa amar ou que promove o abandono. No nosso caso, obviamente fazendo apenas o balanço das últimas décadas, julgo que hoje já ninguém duvida que Portugal é um país que se deixa amar e bem ao contrário não promove nenhuma ação que possa considerar-se um incentivo ao abandono.

Na última década, em alguns casos por vagas, apareceram no nosso país várias comunidades, impelidas por razões diversas e seguramente com objetivos bem distintos. Chineses sim, mas antes deles, brasileiros, cabo-verdianos, angolanos e de outros países dos PALOP, mas também do Leste europeu, ucranianos, romenos e russos. Conheci e conheço vários exemplos destas várias comunidades e tive relações pessoais e profissionais com várias pessoas destas sucessivas vagas de imigração. A notícia da família chinesa que se quer portuguesa não destoa e até reforça esta minha ideia de que Portugal e os portugueses estão sempre disponíveis para receber de braços abertos quem se quer juntar ao nosso grupo e mesmo sem nenhum ato xenófobo a nossa comunidade também sabe dar sinais para indicar a porta de saída a todos aqueles que não quiseram ou não souberam integrar-se. Claro que pode sempre dizer-se que a dimensão de Portugal, dimensão geográfica e dimensão económica, tornam a coisa mais simples, mas mesmo assim julgo que somos um bom exemplo em que outros países europeus podiam pôr os olhos para aprenderem algumas regras ou até truques de sã convivência entre povos com raças e credos diferentes.

Claro que estou convencido que Portugal e os portugueses ganharam muito este feitio e esta predisposição no saber de experiência feita ao longo da gesta dos Descobrimentos. Não deve ser estúpido concluir que um país que regra geral se portou bem a descobrir os outros também se porta bem na altura de ser descoberto.

Empresário

ver mais vídeos