Opinião

Sete magníficos emigrantes

Sete magníficos emigrantes

João Araújo, Sofia Pinto, Bruna Costa, Filipa Dias, Miguel Freitas, Nuno Fonseca e Alberto Salvador. Estes são os nomes de sete jovens portugueses que trabalham num hotel de Barcelona onde os fui encontrar num fim de semana que lá passei neste verão. Para além do mesmo local de trabalho e da mesma condição de recém-emigrantes, estes sete jovens têm em comum o facto de serem todos da região Norte e quase todos da região do Porto e tipo cereja em cima do bolo, serem todos portistas. Estas características que lhes são comuns são para mim muito importantes e contribuíram para que eu passasse um fim de semana fora sentindo-me completamente em casa, mas são as características que vou de seguida acrescentar que mais interessam para a crónica de hoje. De tudo o que lhes ouvi dizer e vi fazer, percebi que também partilham um grande apego à terra que os viu nascer e senti em todos uma vontade de para cá voltarem, sendo que também em todos percebi o gosto pelo trabalho que faziam e pelo excelente hotel que os contratou.

Foi neles que logo pensei quando tive conhecimento da iniciativa em que o Governo e o PS estão a trabalhar para propor um conjunto de incentivos que estimulem o regresso a Portugal de emigrantes como estes ou semelhantes. Não conheço (e penso aliás que ainda ninguém conhece), os detalhes finais do conjunto de estímulos e benefícios que farão parte da proposta de lei ou decreto-lei, mas o conjunto de informações das linhas gerais desta proposta que já foram tornadas públicas permite desde já um comentário e uma reação. Como tudo o que o bicho homem faz (ou desfaz) sobretudo na política, também esta iniciativa há de ter prós e contras, virtudes e defeitos e também aqui é fácil perceber que o ótimo é inimigo do bom. Claro que o ótimo seria que todos os emigrantes e mais do que isso, todos os portugueses, pudessem pagar menos de IRS, mas neste momento e nesta proposta o que se trata (e a meu ver trata bem) é de estimular o regresso de uma força de trabalho jovem e/ou competente que nos anos difíceis da troika teve a ousadia e a coragem de ir buscar trabalho fora da sua zona de conforto, em vez de se deixar ficar por cá de braços caídos e lamúrias na ponta da língua.

Caricaturando de certa forma a situação, trata-se de ter um primeiro-ministro e um Governo que os convida a voltar, melhorada que está a situação que levou outro primeiro-ministro de outro Governo a incitá-los a partir. Imagino que os mentores desta proposta tenham tido experiências ou registos semelhantes à minha experiência de Barcelona, porque foi exatamente este sentimento que eu julguei perceber nas conversas que tive com estes jovens. Que ninguém se engane. Só os conheci agora, mas tal como não ouvi deles nenhuma queixa sobre o trabalho que fazem e a todos sempre encontrei com uma alegria e boa disposição contagiante, tenho a certeza que foi com esse mesmo espírito positivo e corajoso que decidiram sair de suas casas para procurar um trabalho onde ele existisse em melhores condições.

Os incentivos que estão a ser propostos poderão não cativar todos aqueles a quem se dirigem, mas têm pelo menos o mérito de mostrarem que neste particular as promessas dos políticos não foram só conversa. Para além do mérito maior de fazerem saber aos jovens, como estes sete magníficos emigrantes do hotel de Barcelona, que tal como eles não se esquecem do seu clube, da sua cidade e do seu país, o Estado português também não se esquece deles nem desiste da ideia de que Portugal se cumprirá melhor com eles do que sem eles.

* EMPRESÁRIO

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