Opinião

Venham ter connosco aos Aliados

Venham ter connosco aos Aliados

Na última passagem de ano falhei o encontro com o meu amigo Pedro Abrunhosa (e com mais 200 mil pessoas...) na Avenida dos Aliados porque já tinha assumido um compromisso fora da cidade, mais concretamente em Viseu, outra cidade de que também gosto muito, a par do Porto e de Guimarães, para falar só no top 3. Para quem possa estranhar esta minha entrada (na crónica, não no ano de 2019...) esclareço com gosto que uma das novas músicas com que Abrunhosa pôs a Baixa do Porto a dançar no réveillon chama-se exatamente "Vem ter comigo aos Aliados".

No meu caso tentarei redimir-me da falha indo ter com ele já no sábado à Casa das Artes de Famalicão, mas há um país inteiro de políticos a precisarem de meditar ao som desta música. Nem que não seja só para perceberem que Portugal não é só Lisboa e o resto mera paisagem.

O Porto, Guimarães, Viseu, Viana do Castelo, Famalicão, Barcelos, Guarda, Aveiro, Albufeira, Vila Real, Setúbal, Évora, Castelo Branco, Covilhã e muitas outras cidades fazem parte do Portugal inteiro e seria muito bom que a nossa classe política e os nossos deputados se lembrassem disso todos os dias e não só quando por lá anda a festa ou a desgraça.

Há que reconhecer que o primeiro deles todos, o nosso primeiro presidente de todos os portugueses, tem sido incansável no seu esforço de tentar estar com os portugueses que não residem nem vivem na capital. Mesmo que já exista quem o acuse de populista (a tal palavra da moda com que se trata a popularidade daqueles que não pensam como nós...) há que ter a honestidade de reconhecer que da boca do presidente podem sair telefonemas improváveis, mas não é imaginável que possa sair uma indignação por lhe marcarem uma reunião ou um trabalho político fora do Palácio de Belém ou fora de Lisboa.

Não me quero intrometer na querela interna que tem vindo a agitar o PSD nos últimos dias, até porque como o próprio Marcelo sentenciou, e muito bem, a crise do PSD é com o PSD, mas não posso deixar de me indignar com a indignação de alguns dirigentes do partido por causa da próxima reunião do Conselho Nacional do partido ter sido marcada para o Porto. (Ainda por cima até podem ir ver essa joia rara que acabou de fazer 113 anos, a Livraria Lello). A questão da hora já será tema para outro campeonato que não me interessa para esta crónica, agora tornar público o enfado por se ter marcado uma reunião para o Porto, "porque é muito longe", é bem ilustrativo da atitude centralista e umbiguista de uma parte muito significativa da nossa classe política. Quem não souber até pode pensar que a maioria dos membros desse Conselho Nacional é de Lisboa, mas até isso, que também não mudaria quase nada, não é verdade.

O que pensa esta gente que diz estas tolices é que a distância entre Lisboa e o Porto é maior que a distância entre o Porto e Lisboa. Como acham sempre que a distância entre Lisboa e Alcanena, Lisboa e Portalegre, Lisboa e Mêda, Lisboa e Chaves, Lisboa e Figueira de Castelo Rodrigo é sempre maior que a distância inversa.

Meus caros amigos do PSD (mas também poderiam ser de outro partido...) deixem-se lá de tretas e se realmente têm alguma coisa importante para falar, discutir, votar ou decidir venham ter connosco aos Aliados, que vão ver que não dói nada. Ou, como sempre me lembro de ouvir os meus pais dizer, quem quer bolota, trepa...

*Empresário