Opinião

Irmãos Metralha na campanha

Irmãos Metralha na campanha

Quando os partidos, todos eles, falam de inevitável leitura nacional das eleições autárquicas, é sempre porque querem desviar as atenções de alguns resultados locais. Daqueles resultados locais em que não acreditam que as coisas corram de feição.

Nos últimos dias António Costa entrou em força na campanha e, como sempre fizeram, que eu me lembre, todos os anteriores primeiros-ministros nas campanhas autárquicas, também ele faz um esforço homérico para distinguir as horas em que é primeiro-ministro das horas em que veste a camisola de secretário-geral do PS. É por isso que eu não vejo nesta questão nenhuma novidade, apesar dos também costumeiros ataques da Oposição a dizerem agora de Costa o que em anos anteriores o PS dizia de Passos Coelho.

A grande novidade é aquilo que Passos Coelho gostava de ter e nunca teve e que caiu agora no colo de António Costa. Estou a falar da badalada bazuca a que Rui Rio também já chamou com alguma graça metralhadora. Como não me quiseram na tropa, não contem comigo para comentar ou analisar as características que justificam esta comparação de armamento pesado. Mas gostava de dar a minha opinião sobre o fundo da questão.

António Costa tem vindo a anunciar uma catrefada de investimentos para quase todos os concelhos, e são muitos, em que já discursou. A Oposição, convencida que em campanha mais vale largar um soundbyte do que pensar no que se diz , tem feito do primeiro-ministro e destas suas novidades sobre a aplicação do dinheiro da bazuca o alvo privilegiado das suas críticas.

A pergunta de um milhão de dólares que eu aqui deixo é aquela que julgo que a Oposição também deveria fazer antes de se pôr a armar em Irmãos Metralha contra as novidades da bazuca: eu, munícipe e eleitor da Covilhã, de Famalicão, da Mêda, de Alcácer do Sal, de Peso da Régua, de Viseu, de Armação de Pera e por ai fora, quando vejo um primeiro-ministro dizer que se compromete a investir o dinheiro da bazuca no concelho onde vivo, fico satisfeito ou deprimido?

No meu caso, a resposta é muito simples: fico satisfeito. Fico até satisfeitíssimo mesmo que não vote no PS, porque se há coisa que eu fico com a certeza é que a Oposição vai ter todo o direito a reclamar concelho por concelho a cobrança das promessas agora feitas. Para já não dizer que nunca como agora fiquei com a ideia de que o dinheiro da bazuca não vai ficar só à volta do Terreiro do Paço. Como tem sido costume nacional, sejam os governos do PS, do PSD/CDS ou do Bloco Central.

*Empresário

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