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Opinião

Isto está entregue aos bichos?

Isto está entregue aos bichos?

Espero que não, mas já vamos ver. Este título veio-me à cabeça no último fim de semana quando em muitos metros quadrados do meu horizonte visual só via pessoas a passearem animais.

Se eu fosse um pessimista profissional na linha de muitos que por aí andam pelas ruas e pela Comunicação Social, a este título devia seguir-se uma crónica em que desfiaria uma quantidade considerável de desgraças, maus prenúncios e previsão de mais fatalidades. Como me considero um otimista incorrigível logo esbarrei em três situações que me dão a oportunidade para dizer que nem sempre o que parece é. Quer seja a falar de política ou de qualquer outra atividade.

1. Na última revista do "Expresso", Clara Ferreira Alves, na sua crónica habitual, publica mais um dos seus muito engraçados manifestos feministas que vale a pena ler... porque também vale muito a pena ver como é logo desmentido. O que Clara diz, em resumo, é que na maior parte das notícias e publicações são muito mais frequentes as fotografias de homens e que as fotografias das mulheres além de serem menos e terem menos destaque, regra geral surgem associadas a temas caseiros de limpeza, cozinhados e arrumações ou exibição de cariz sexual. Dei-me ao trabalho de ir investigar esta afirmação, resolvendo começar a fazê-lo exatamente pela revista do "Expresso" que tinha na mão e onde Clara tinha escrito exatamente isto. Numa contabilidade até conservadora registei 38 fotos de mulheres contra apenas 31 de homens, sendo que uma delas é uma ilustração de Jesus Cristo que ao que se sabe terá vivido e morrido numa época em que as mudanças de sexo ainda não eram fáceis de conseguir. Acredito que esta crónica não foi culpa de nenhum vírus, mas o tempo que investi para a desmentir, isso sim, deve-se ao confinamento Covid-19.

2. Depois de várias semanas em que a luta entre saúde e economia parecia não ter meio-termo que nos pudesse salvar a todos, esta semana começaram a ser assunto mais frequente as terapias para a economia. Um dos pontapés de saída foi uma carta aberta a Marcelo e a Costa subscrita por portugueses, ilustres e menos ilustres, de várias áreas de atividade, que para além de pedirem o gradual levantamento das atuais restrições, aproveitam para fazer uma série de propostas úteis e concretas. Acredito que ainda vamos a tempo de reencontrar o bom caminho.

3. Regressado da Páscoa caseira, da janela do meu escritório vejo o calçadão, a praia e o mar. Desertos. Mas no passeio onde é legal passear vejo gente. Não muita gente, mas nenhum bicho. Tenho fé que isto ainda não está entregue aos bichos.

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