Opinião

Já basta de colinho

O nosso JN, que completou ontem a bonita idade de 132 anos, está de parabéns mas curiosamente neste caso foi o "aniversariante" que brindou os leitores com algumas magníficas prendas.

Para além das autênticas e várias pérolas da edição de ontem, ainda pudemos saber nesta semana o que é que os portugueses pensam do comportamento dos nossos principais responsáveis políticos durante esta crise da covid. Devo dizer que foi sem nenhum espanto que descobri o enorme aplauso escrutinado pelas sondagens em relação ao presidente da República e ao primeiro-ministro, sendo que o líder da Oposição também recolhe um índice de popularidade que não o desmerece.

Muitas vezes gabo-me de não alinhar pela opinião mainstream, mas neste caso se os autores da sondagem me tivessem feito o inquérito não iria fugir ou divergir do sentimento maioritário dos inquiridos. Na verdade, fazendo um rápido flashback do que foram estes quase três meses de estados anormais, desde o não sei em que estado vamos ficar até ao estado de calamidade, passando pelo estado de emergência, registei um comportamento inicial menos feliz do presidente da República, mas que foi rapidamente corrigido com sucesso para uma situação de "pendant" com António Costa e o Governo, de modo a que os portugueses hoje reconhecem a ambos uma boa performance na gestão da crise.

Usando uma expressão coloquial, Marcelo e Costa não se pouparam a esforços nem a riscos para andarem connosco ao colo fossemos nós os sem-abrigo, os com infeção, os internados, os confinados, os recuperados, os heróis dos hospitais, os reclusos idosos, os cheios de razão, os especialistas, os sem especialidade especial e por aí fora, até atingirmos todas as classificações possíveis que um cidadão português apresentava nestes meses.

Feita e publicada a sondagem, acho que os portugueses agradeceram e eu aqui neste posto avançado do JN também humildemente agradeço, mas aproveito para passar de imediato à fase seguinte cobrando o agradecimento, que é uma coisa que mais do que muito minha, é muito portuguesa. Agradecimentos feitos, a exigência agora é que acabem de vez com o colinho. Desconfio que seja o que pedem todos os portugueses, mas tenho a certeza que é o que deviam pedir todos os portugueses que não tendo morrido do vírus também não querem morrer da cura.

Por amor de Deus, agora têm que mandar toda a gente regressar ao trabalho, aos restaurantes, aos eventos, aos museus, aos teatros, às ruas, aos parques, às viagens... no fundo regressar à vida. Porque a vida é bonita, é bonita e é bonita!

* Empresário

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