Opinião

Mais um prego no caixão das restrições

Mais um prego no caixão das restrições

Hoje, quero ser carpinteiro e pregar mais um prego no caixão das restrições que estão a dar cabo da nossa economia.

Aguardo as novas medidas que o Governo vai decretar amanhã, depois de ouvir os famosos especialistas pela enésima vez. Apesar de se ter criado na opinião publicada uma certa consciência de que vamos ter um enorme alívio das medidas restritivas, gostava hoje de me juntar àquilo que considero ser a opinião pública. Como é evidente, esta opinião publicada não tem a capacidade de se arvorar em representante da opinião pública e também não tem o suporte de nenhuma especial sondagem feita a esse propósito.

É por isso apenas a expressão da minha opinião. Só que é uma opinião que resulta da observação e constatação de factos concretos e é resultado da auscultação de muitas conversas sobre o tema. Conversas de pessoas vulgares, que não são especialistas da saúde, mas também não se transformaram em especialistas do teletrabalho ou das teleférias.

Esta minha opinião foi ainda inspirada numa reportagem do nosso JN que dava conta da enorme insatisfação de vários lideres associativos com os graves problemas das suas empresas e indústrias com o cumprimento do prazo de entrega das suas encomendas. Por causa da falta de mão de obra, na sua maioria causada pelas inenarráveis quarentenas que as autoridades de saúde continuam a impor. Mas a gota de água foi um desses casos concretos, que aconteceu com uma empresa próxima. Uma das suas mais diligentes colaboradoras está a frequentar um curso pós-laboral com a louvável intenção de melhorar as qualificações profissionais.

Abdicando por isso de muitas horas de tempo livre. Um destes dias, houve um dos seus colegas de turma desta formação que acusou positivo à covid-19. Tanto quanto sei, a situação foi reportada às autoridades de saúde, explicando que nessas horas do curso de formação ninguém facilita no uso de máscara, sendo que também existe um distanciamento apropriado entre os vários lugares.

Tratando-se de uma formação pós-laboral que apenas tem uma sessão diária, não existindo sequer qualquer convívio em supostos intervalos. Acontece que sem mais nenhum elemento de análise ou observação, essa colaboradora foi intimada a permanecer 12 dias em isolamento profilático, prejudicando fortemente o seu trabalho e a atividade da empresa. A pessoa em causa já tinha iniciado o processo de vacinação, não tem e nunca teve qualquer sintoma e já acumula vários testes PCR negativos.

Em face desta situação lamentável, a minha única esperança é que o responsável da empresa onde ela trabalha não venha a achar que a culpa do seu prejuízo está na iniciativa que a sua funcionária teve de utilizar os tempos livres em formação profissional. Ainda por cima, a expensas próprias.

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*Empresário

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