Opinião

Mulheres, melhores e melhoras

Mulheres, melhores e melhoras

Quem me conhece na minha vida pessoal, mas sobretudo na profissional, que é o que aqui mais interessa (e espero que possa dizer o mesmo de quem me lê aqui no nosso JN), sabe que mais do que respeitar as mulheres que trabalham, adoro trabalhar com mulheres.

Um bom exemplo disso está à vista no Aeroporto do Porto hoje e amanhã. Nem mais nem menos do que a edição 55 do maior salão profissional ibérico de têxtil, moda e vestuário. É com o maior gosto, mas também com muita honra e orgulho que vos posso dizer que estas 55 edições foram organizadas exclusivamente por equipas 100% femininas que tive e tenho o prazer de coordenar. Faço esta revelação para que ninguém me considere suspeito de coisas menos elegantes, quando ler o que vou escrever a seguir.

Decidiu a CMVM que a partir de 1 de janeiro de 2020 as empresas cotadas na Bolsa ficam obrigadas a ter pelo menos 33,3% de administradores do chamado género sub-representado. Como é evidente, aquilo em que esta diretiva especialmente se traduz é na obrigação das empresas cotadas passarem a ter mulheres obrigatoriamente a ocuparem 1/3 dos lugares nas suas administrações. Esta imposição é para mim absolutamente ridícula e desde logo se eu fosse mulher a primeira pergunta que faria era... porquê 33,3% e não 50%. E se além de mulher tivesse brio profissional, a segunda questão que levantaria já não seria uma pergunta, mas sim uma exigência: não quero ser administradora nem desempenhar qualquer outro cargo numa empresa por outra razão que não a minha competência e o meu mérito. Recordo que ainda há bem pouco tempo aqui escrevi uma crónica em que me rejubilava com o facto de muitas mulheres do Norte estarem a ocupar cargos de relevo e de enorme destaque em alguns dos maiores grupos empresariais portugueses, destacando nessa altura Cláudia Azevedo, na Sonae, Paula Amorim, no seu grupo familiar, e Isabel Furtado, na TMG e na Cotec. Nunca discuti este assunto com elas, mas tenho a certeza absoluta que também nenhuma delas gostaria de ser obrigada a integrar na administração das suas empresas 33,3% de homens a que não reconheçam capacidade, mérito e competência para as funções em causa.

Se o objetivo desta medida é tentar que as mulheres na sua vida profissional tenham as mesmas oportunidades que os homens, devo dizer que se trata de um tiro claramente na água como se estivéssemos a jogar à batalha naval. Tenho a certeza que em consequência da aplicação obrigatória e irresponsável desta medida iremos assistir, bem ao contrário do pretendido, a um conjunto de situações ridículas de mulheres que vão ser estigmatizadas e ridicularizadas por se verem alcandoradas a lugares para os quais não terão em alguns dos casos competência e, em outros, perfil ou até vontade. Mesmo para as melhores mulheres esta medida precisa de melhoras.

*EMPRESÁRIO

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