Opinião

Nesta crónica não se fala do corona

Nesta crónica não se fala do corona

Este título foi uma decisão irrevogável que tomei logo ao amanhecer quando comecei a pensar no tema para hoje. À hora a que escrevo, já ao fim da tarde, confesso que estive quase a desistir.

Em busca de inspiração afadiguei-me a percorrer o nosso JN online, mas não consegui encontrar uma única notícia que me ajudasse a cumprir esta promessa de não falar nele ou em alguma coisa que esteja a acontecer por causa dele.

Considerando a minha ideia de que a observação ao vivo ainda nos consegue mostrar muitas coisas impossíveis de apreender online, saí do escritório, furioso por não estar a ver forma de cumprir a promessa do título e fui dar uma volta pelas redondezas. Nem meia hora foi preciso para encontrar um tema que não deixa de ser uma interrogação, até certo ponto um mistério, que hoje decidi partilhar com os leitores. Claro que este mistério, desvendando um pouco, este mistério imobiliário, só interessa aos leitores que ainda não estejam fartos de notícias sobre o dito cujo. Na certeza, porém, de que esses leitores seguramente encontrarão abundante informação sobre a tal coisa de que não quero falar em muitas das restantes páginas deste nosso JN.

Já agora, outra vantagem deste tema alternativo, é que se trata de um mistério provavelmente mais complicado de decifrar, mas de explicação muito curta e simples. No meu périplo pelas cercanias do meu local de trabalho habitual, em Matosinhos Sul (ou Foz Norte como alguns lhe chamam) descobri três edifícios que não evidenciam nenhum sucesso imobiliário estrondoso, sendo que para mim isso é um mistério insondável, porque os três beneficiam de uma localização e exposição que lhes deveria garantir uma vida risonha. A saber, e por ordem de entrada no meu ângulo de visão no passeio que fiz, refiro-me ao Edifício Transparente, às instalações do antigo Clip e ao velhinho Café Bela Cruz que já foi outras coisas, mas para mim ficou sempre Bela Cruz.

Para os menos familiarizados com a zona, estes três edifícios estão todos no Porto, na primeira linha de mar, na vizinhança do Parque da Cidade, estando também todos servidos de excelentes locais de estacionamento. Estão também os três muito perto de um mix de zonas residenciais e escritórios. No culminar de um ciclo de grande boom imobiliário e turístico, é para mim um mistério que não se lhes reconheça serem palco de grandes negócios ou empreendimentos de sucesso.

Lamento não estar em condições de explicar aos meus estimados leitores as razões deste mistério e por isso é que trata de um mistério. Sim, não quero que pensem que a minha falta de condições tem alguma coisa a ver com aquele dito cujo, cujo nome só escreveria aqui se estivesse mesmo muito doente.

*Empresário

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