Opinião

Nós contamos contigo, Pimenta

Nós contamos contigo, Pimenta

Não sei se é um tipo de recorde que faça muito sentido comemorar, mas podemos estar perto de bater o recorde de medalhas conquistadas por atletas portugueses em jogos olímpicos.

O Pimenta sabe disso e já contribuiu muito para essa possibilidade. Algumas pessoas mais picuinhas nesta área hão de sempre escarafunchar o assunto, lembrando que as medalhas não são só números, são também metais. Esses dirão sempre que uma medalha de ouro é uma medalha de ouro, uma medalha de prata é uma medalha de prata e uma medalha de bronze é uma medalha de bronze. De entre todos os picuinhas, os mais chatos ainda hão de tentar estabelecer graus de comparação, avançando talvez que uma medalha de ouro vale pelo menos duas de prata e quatro de bronze e que até a de prata é melhor que duas de bronze. Para os que não são picuinhas como eu, se o Pedro Pichardo continuar de candeias à avessas com o Nelson Évora, mas conseguir mais uma medalha para o país que o adotou, vamos poder comemorar esse feito histórico de termos conquistado pela primeira vez mais de três medalhas nos mesmos Jogos Olímpicos.

Este meu súbito interesse pela conquista de medalhas por atletas que ganham, por campeões que não desistem, por desportistas que não desvalorizam qualquer tipo de medalha, nem se deixam abater por terem ficado sem medalha, mas entre os dez melhores do Mundo dentro da sua categoria, tem muito a ver com o que explico a seguir.

Não sei se fui só eu a reparar, mas ao longo das primeiras semanas dos Jogos, detetei uma tendência na comunicação social generalizada que parece pela primeira vez, numa análise aos Jogos Olímpicos, preferir dar destaque e valorizar os atletas que perdem, os desportistas que não atingiram os resultados esperados, aqueles que desistem ou não dão o seu melhor por variadas razões. Envolvendo-os numa espécie de "colinho" que pode ser enternecedor, mas que atenta completamente contra os valores tradicionais e perenes dos Jogos Olímpicos. Habituado à divisa olímpica "citius, altius, fortius", era o que mais faltava que a partir de Tóquio fossemos obrigados a mudar essa divisa para "fracus, desistencius, perdius". É por isso que volto ao nosso Fernando Pimenta das canoas, que não são do Tejo, são de todo este imenso Portugal. Mesmo falando de si na terceira pessoa, quando ele diz que Portugal quer um Pimenta campeão olímpico e vai poder contar com o Pimenta para isso, eu quero aqui deixar-lhe um forte abraço e garantir-lhe que pode contar comigo para contar com ele. Que nunca lhe falte a força no remo, amigo Pimenta.

Empresário

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG