O Jogo ao Vivo

PRAÇA DA LIBERDADE

O assalto que nos faltava

O assalto que nos faltava

Este ano parecia que o mês de agosto nunca mais chegava. Mas agora que é oficial que estamos em agosto, escolhi um tema próprio deste mês. Esta época costuma ser apelidada de silly season, mas este ano os meses anteriores puseram tanta gente maluca, que não podemos falar propriamente de uma silly season nos moldes habituais. Mesmo assim, sem querer trair este espírito, não resisto a um comentário sobre o tema do ano, porque mesmo dado o ar fatal com que todos falam dele, pode parecer engraçado, mas nunca tem verdadeira graça. Durante meses a fio, as conferências de imprensa e as contabilidades oficiais da DGS mantiveram-nos furiosamente alerta em relação ao número de mortos relacionados com a covid-19. Talvez um dia ainda venhamos a conseguir conhecer uma estatística que separe os falecidos em mortos por covid, mortos com covid e mortos se calhar eventualmente por causa do medo da covid. Seja como for, andamos vários meses a registar e a tomar devida nota do número de mortos diários. Esta semana, tivemos finalmente um dia em que ninguém morreu por causa disso.

Como é que é possível que depois de tanto folclore e espavento mediático à volta dos mortos, mesmo quando eles eram já parecidos com desastres de viação, que ninguém tenha assinalado especialmente o dia em que ninguém morreu! Confirma-se a ideia de que a graça da notícia são as desgraças desta vida.

Mas graça, na verdade, tem mesmo a notícia de que a série de sucesso espanhola "A casa de papel" escolheu o nosso país para rodar alguns episódios daquela que promete ser a sua última temporada. Devo confessar que, durante o estado de emergência, resolvi ocupar algum tempo mais livre a ver os primeiros episódios desta série, na tentativa de não ser ostracizado em algumas conversas dos meus amigos e das minhas parceiras de trabalho. Não tive capacidade para ultrapassar a primeira metade da temporada de estreia, mas, conhecidas as personagens e o enredo base inicial, já consigo aqui e ali entrar na conversa. Mas mais importante do que não ficar de fora nas conversas com amigos e amigas, é que já estou habilitado a perceber a graça desta ideia que eles tiveram de trazer as filmagens da série para Portugal. Imagino que todos os leitores já saibam que "A casa de papel" trata longamente de um assalto ao Banco Central e, depois das notícias dos últimos anos, não era preciso ser um argumentista de génio para descobrir que assaltos geniais a bancos tinham que ser filmados no nosso país. Como é costume dizer, é quando a realidade ultrapassa a ficção que a ficção fica melhor que nunca.

*Empresário

Outras Notícias