Opinião

O campeão do bacalhau

O campeão do bacalhau

No último domingo o convidado para a entrevista que costuma fechar o programa de Ricardo Araújo Pereira na SIC foi o sportinguista, e ex-ministro de Passos Coelho, Miguel Poiares Maduro.

Conhecido adepto do Benfica, RAP começou a entrevista a dizer que iriam falar do Sporting, mas com alguma dificuldade dele, porque este ano não tem tido tempo para acompanhar o futebol... Tal como eu, o Ricardo também já não acredita que o SLB consiga melhor que o terceiro lugar, naquele que será o terceiro lugar mais caro de sempre da Liga Portuguesa. Como ele, também só me apetece fingir que esta época não liguei nada ao campeonato e por isso hoje não me interessa nada que o dia possa ter nascido com um novo campeão depois de 19 anos de jejum.

Mas também é verdade que não é todos os dias que se entra numa verdadeira instituição nacional para almoçar. Infelizmente, nos últimos meses nem sequer foi todos os dias que pudemos entrar num simples restaurante, quanto mais numa instituição como o Vítor de S. João de Rei. Onde "joga" o campeão do bacalhau.

Devo dizer que já não é a primeira vez que me acontece uma estreia não vir só. Neste dia de sorte em que me estreei no Vítor e em S. João de Rei, já vinha de me estrear na Póvoa de Lanhoso e na visita a duas empresas têxteis onde também nunca tinha estado: a R. Maia na dita Póvoa e a Source Textile em Celeirós, Braga.

Confesso que entrei no restaurante de corda ao pescoço. Senti muita vergonha por ter demorado tanto tempo a ir a um templo que eu já admirava há muitos anos. Achei incrível ter deixado que o Vítor chegasse aos 83 anos perante a minha indiferença - culposa, porque informada. Foi bem feito que ele tivesse troçado de mim, dizendo-me que ainda tinha muitos anos pela frente. Que é o que mais desejo, pela sua saúde e pelo nosso prazer.

Quase fingindo que já não respondeu milhões de vezes ao mesmo, o inigualável Vítor contou as estórias do seu bacalhau, os cuidados a ter e os segredos da longevidade da sua fama. Claro que os segredos da sua própria longevidade não os revelou, com grande pena nossa.

Depois desta entrada triunfal onde até nos mostrou uma camisola suada do Diogo Dalot (que agora brilha em Milão) parece que houve mais umas entradas, mas devem ter sido só para aumentar o suspense.

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Horas depois (exagero, mas foi o que senti!) chegou o autêntico rei de S. João de Rei, o bacalhau campeão do Vítor. Foi a partir daí que nos calámos todos e é a partir daqui que me calo eu também. Quem já lá foi percebe. Quem ainda não conhece, é só tratar de correr a corrigir esse erro de palmatória, que vai logo perceber.

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