Opinião

O canário do Bino

Julgo que a última telenovela que fui acompanhando terá sido a portuguesa "Vila Faia". Mais de 30 anos depois voltei a interessar-me pelo género por causa da "Festa é festa", da TVI.

Embora haja quem diga, e eu até tendo a concordar, que estamos perante um produto que é mais uma sitcom do que uma telenovela. Segundo rezam as audiências, são muitos os que a seguem diariamente, embora o meu registo seja de recuperar os vários episódios durante o tempo livre no fim de semana. Para além de ter conteúdos hilariantes, o que mais me atrai é a caricatura de muitos personagens tipicamente portugueses e a crítica social quase sempre de um humor desconcertante. Dá-se ainda a circunstância de poder assistir ao excelente desempenho de alguns meus amigos, como é o caso do protagonista, Bino, o presidente da Junta encarnado por Pedro Alves, que eu já não via desde os tempos em que ambos participávamos na Praça da Alegria da RTP. Um dos aspetos mais engraçados desta série é que todos nós já conhecemos ou ainda conhecemos e lidamos com famílias de emigrantes como a do Manuel Marques e da Sílvia Rizzo, Presidentes de Junta ou outros políticos como Albino Jesus, sonhadoras e obcecadas pela estética como a personagem de Inês Herédia ou fantasistas e donos de dupla personalidade como o hoquista falhado a que o Manuel Melo dá corpo.

Mas é também na critica social que a série acerta em cheio. Tenho-me divertido muito com a forma como a nossa juventude dependente do telemóvel e das redes sociais é gozada de fininho. Mas e agora chegamos ao ponto principal e que me levou a trazer a "Festa é festa" para aqui: os guionistas da série até parece que adivinhavam o que se ia passar no Congresso do PAN. Este partido, Pessoas, Animais e Natureza aproveitou o seu mais recente conclave para não deixar dúvidas a ninguém de que para eles as Pessoas, os Animais e a Natureza estão no mesmo patamar. O Bino quando encontrou o seu canário morto queria que a Polícia investigasse, que o médico apurasse as razões da morte e que o padre presidisse a um funeral condigno. Não duvido por um instante que nesse congresso e nesse partido sejam muito aqueles e aquelas que gostam de dizer que quanto mais conhecem os homens, mais gostam de animais. Nada me move contra os animais domésticos ou selvagens e muito menos contra a Natureza que quero sempre ver bem tratada e verdejante. Mas perante afirmações como as que eu vi dos novos líderes do PAN, já só me apetece dizer que quanto mais conheço o PAN, mais gosto dos outros partidos. Todos. Até do Chega, do BE e do PCP, credo!

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