Opinião

O embaixador das empresas

O embaixador das empresas

Nunca como hoje as empresas portuguesas precisaram tanto de um Almeida Henriques no Governo.

Não tanto por causa dos governantes que hoje temos na área da Economia, antes pelo contrário, mas porque os estilhaços resultantes da pandemia estão a colocar muitas empresas numa situação nunca dantes navegada.

O presidente da Câmara de Viseu e antigo secretário de Estado Adjunto da Economia e Desenvolvimento no primeiro Governo de Passos Coelho, que nos deixou no Domingo de Páscoa, foi um enorme defensor das empresas e indústrias portuguesas. Embora já lhe conhecesse essa faceta antes desses cargos, lembro-me bem como nessa altura ele era reconhecido pelas empresas e associações empresariais. Se alguns lhe chamavam o "embaixador" do Governo junto das empresas, na verdade ele foi muito mais o "embaixador" das empresas junto do Governo.

Julgo que o seu passado no associativismo empresarial o ajudou muito a ter a perceção do que era preciso mas foi o seu bom senso e o seu feitio de empreendedor que o ajudou a perceber o que um governo pode fazer pelas empresas. Por um lado, sem deixar que o Governo fique refém de alguma exigência empresarial menos sensata e por outro, sem que as empresas fiquem com a sensação de que o Governo não tem sensibilidade para as suas causas e reivindicações.

Normalmente, seja o Governo mais à Direita ou mais à Esquerda, o mais fácil é encontrar ministros e secretários de Estado muito sensíveis aos problemas e necessidades dos trabalhadores por conta de outrem, para já não falar da hipersensibilidade com os funcionários públicos. Já muito mais raro é descortinar em qualquer Governo quem saiba lidar muito e bem com o universo das empresas e das associações dos diversos setores da economia portuguesa.

Almeida Henriques já não está entre nós, mas pode ser o espírito inspirador para estes tempos em que o "poder" dos responsáveis da Saúde tem que começar rapidamente a ceder perante o "poder" do Ministério da Economia.

Contava-se que neste segundo Governo de António Costa, Siza Vieira tinha "vencido" as Finanças tornando-se o número dois oficial na hierarquia governamental. Pede-se e espera-se agora que este superministro também suplante Marta Temido. Sem o mais pequeno temor e com o apoio das micro, pequenas, médias e grandes empresas portuguesas.

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*Empresário

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