Opinião

O regresso aos armários

O regresso aos armários

Nada como umas boas eleições autárquicas para nos ajudarem a todos a retomar a normalidade. Por estes dias aquilo em que quase todos os portugueses pensam é em retomar a sua vida normal.

Houve quem pensasse que estas eleições autárquicas iriam perturbar esse regresso à normalidade por serem potencialmente capazes de provocar vários focos anormais de grande instabilidade. Como eu aliás previ, tirando um ou outro pormenor, surpreendente, a vida política do pós-eleições autárquicas já retomou a mesma normalidade em que estava antes. Porque o espaço é curto vou-me esforçar por ser muito conciso e para isso nada melhor do que optar por distribuir o meu raciocínio por vários pontos ou tópicos.

1) A soma da abstenção com os votos brancos e nulos conquistou uma confortável maioria absoluta na chamada leitura nacional destas eleições. Como de costume, uma tristeza.

2) O PS voltou a ganhar as eleições, sendo que em termos de eleições autárquicas é o que em futebolês se chamaria um hat-trick . Ok, perdeu a Câmara de Lisboa e mais umas quantas. Ok, a vitória não foi tão folgada como as últimas. Mas manda a matemática que se diga que ganhou pela terceira vez consecutiva.

3) O PSD perdeu, mas o Rui Rio ganhou. Como também aconteceu nas últimas duas eleições disputadas por este PSD, há sempre uma boa razão para conseguir ganhar alguma coisa com mais uma derrota. Desta vez, Rui Rio devolveu os críticos aos armários, de onde tinham saído cambaleando e agitando-se precipitadamente. Num trocadilho fácil o PS ganhou as eleições, mas Rui Rio ficou satisfeito com os trocos, sobretudo por causa do brilharete de Moedas.

4) O CDS voltou a embandeirar em arco com as suas seis câmaras, mais o que ganhou para o discurso à boleia de Moedas e Rui Moreira. Críticos também a caminho do armário.

5) CDU/PCP também foi o costume, porque basicamente ganham as eleições todas desde o 25 de Abril e por isso estas não fugiram à regra. O "nosso" Jerónimo nunca perde tempo a fazer contas, mas também os portugueses cada vez perdem menos tempo a contar com ele.

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6) BE, Chega, IL, PAN e companhia: como de costume para os pequenos partidos fora do arco da governação as autárquicas são sempre uma realidade entre o frete e um acidente de percurso. Mas claro que para quem concorre pela primeira vez, eleger um secretário da Junta já é uma grande vitória em comparação com as anteriores.

A festa da normalidade. Festa é festa!

Empresário

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