Opinião

Oh, meu rico São João!

Oh, meu rico São João!

No Porto, sabemos o que queremos. No Porto, sempre soubemos receber quem queremos. No Porto, não precisamos de ordens para sabermos o que queremos nem para sabermos quem queremos receber.

O JN é uma das poucas instituições nacionais com sede no Porto. Talvez por isso eu seja autorizado a escrever o que aqui vai. No Porto, como nós sabemos (e no país se vai sabendo...), mais do que estarmos habituados a pensar pela nossa cabeça, é esse o nosso desporto favorito. Não é preciso recordar a história das tripas ou outras facetas da arqueologia da cidade, para tornar evidente que as gentes do Porto fazem também da solidariedade nacional o seu modo de vida.

Acontece que este modo de vida aliado ao nosso modo de pensar nunca implicou e não implica aceitar sem pestanejar o que alguns senhores de Lisboa gostam de mandar ou inventar. Como é também hoje óbvio, este pestanejar que já foi pegar em armas, que já passou por alimentar revoltas, é hoje muito mais suave, como ditam os tempos. Mas esta suavidade que rima com responsabilidade, rima também com a vontade de não capitular perante exigências que não compreendemos.

Estou particularmente à vontade (e não é só para continuar a rima) no que toca às festas populares de S. João porque neste mesmo espaço, exatamente há um ano atrás, revelei a minha total concordância com o cancelamento total das festas, limitando-me na altura a sugerir ao presidente Rui Moreira que pudesse recuperar essas festas dois meses depois, se a situação na rentrée o permitisse.

Este ano, folguei muito por saber que a CMP tem um plano em marcha para devolver ao povo do Porto as festas de S. João. Claro que apenas na medida do possível. Com respeito pelas condições de segurança sanitária, como Rui Moreira fez questão de assinalar.

Como muitas pessoas com quem falei me disseram, também eu não compreenderia que a receita da CMP para o S. João deste ano fosse igual à do ano passado. Proibindo toda e qualquer manifestação popular comemorativa do santo padroeiro da cidade. Se a política é de facto a arte do possível, menos seria de menos e mais seria visto por muitos como um motivo de crítica.

Basta ver o coro das virgens ofendidas de Lisboa, todas roídas de inveja pelo enorme sucesso que constituiu a realização no Porto da final da Champions. Era o que mais faltava que meia dúzia de bêbados ingleses, habituados a fazer muito mais e muito pior por esse mundo fora, fossem capazes de estragar a boa imagem de organização que fomos capazes de dar.

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Ainda bem que as televisões internacionais não se deram ao trabalho de estar várias horas a reproduzir e a repetir as mesmas imagens de uns desacatos que não causaram qualquer morto, nenhum ferido grave e apenas quatro detenções. Basta pegar num jornal diário e verificar que qualquer drama passional provoca mais vítimas e mais detenções.

*Empresário

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