Opinião

Os verdadeiros artistas

Os verdadeiros artistas

Estamos todos de acordo que uma das áreas de atividade que mais cedo começou a sofrer e mais tarde recuperará é a área dos eventos.

Nomeadamente, aqueles eventos destinados a juntar grandes multidões dificilmente enquadráveis naquela regra da distribuição de pessoas por quadrículas no terreno ou lugares marcados. Por isso não se estranham as queixas dos principais agentes da vida artística que temem que este calvário a que estão sujeitos sem qualquer culpa própria se possa vir a prolongar por muitos meses. Para além dos apoios que por serem transversais estão ao alcance de qualquer empresa, também já foram tentados, sem grande sucesso, diga-se, algumas formas de apoiar especificamente este mundo das artes e dos espetáculos. Feito este introito que nos situa no plano geral, gostava de lembrar que uma das características que distinguem os agentes e artistas desta área é exatamente a capacidade criativa e de inovação. O verdadeiro artista é o que diante de dificuldades como as que atravessamos é capaz de se reinventar, sobretudo quando é a sua própria sobrevivência que está em causa.

Há dois artistas que aprecio particularmente e que fazem o favor de ser meus amigos, mas valha a verdade também os admiro profissionalmente porque nas muitas atuações que vi a ambos nunca me desiludiram. Não é pois de admirar que tenham reagido à crise da pandemia com a proatividade, imaginação e criatividade que se pede aos tais verdadeiros artistas. O Luís de Matos tem o seu quartel-general numa zona industrial de Ansião, na Região Centro e em pouco tempo adaptou as suas instalações para poder lá realizar espetáculos seus e alheios numa modalidade de drive-in, o que prova que muitas vezes soluções do passado são boa inspiração para resolver os problemas do presente e do futuro.

No último sábado o Estúdio 33 do Luís de Matos esgotou a lotação do novo drive-in para receber um concerto inédito de Pedro Abrunhosa. O Luís de Matos, que também irá lá fazer o seu espetáculo em várias datas de junho, já pisou todos os melhores palcos de Portugal e algumas das mais conceituadas salas do Mundo inteiro. O Pedro Abrunhosa ainda há pouco tempo atuou no Porto para mais de 100 mil pessoas e costuma encher os Coliseus do Porto e Lisboa com a frequência com que eu mudo de camisa, passe o exagero.

Não sei ao certo quantas pessoas estavam dentro dos 70 automóveis que esgotaram o drive-in neste sábado, mas o que sei é que nem a um nem a outro lhes caem os parentes na lama por causa disso. Bem ao contrário, é com exemplos destes que os artistas se erguem do meio do atoleiro em que ficarão os que só sabem reclamar.

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