Opinião

Outra campanha, não, obrigado!

Outra campanha, não, obrigado!

Nenhum candidato às presidenciais se manifestou declaradamente a favor do seu adiamento por causa da crise pandémica. Na verdade o que é que cada um teria a ganhar?

Começando por Vitorino Silva, vulgo Tino de Rans, que até foi o único que com alguma timidez ainda pôs o assunto na agenda, a única coisa que poderia ganhar era aumento de notoriedade com nova ronda de debates, bem como a suspensão paga do seu trabalho a que tem direito na qualidade de candidato. Nada de especial.

Em termos de notoriedade também aumentaria o reconhecimento público de Tiago Mayan Gonçalves, mas na verdade não estando ele à espera de vir a mudar de vida em função do resultado destas eleições, mesmo que adiadas, imagino que deve estar desejoso de voltar ao seu quotidiano de trabalho depois de cumprida a sua espinhosa missão.

Em relação a Marisa Matias, de quem já todos percebemos que estas eleições não foram marcadas em data oportuna, também aposto que a última coisa que desejaria era voltar a passar por este pesadelo mais mês, menos mês.

No caso do comunista João Ferreira, tendo em conta que o seu objetivo não é ganhar nada para além da possibilidade de vir a substituir Jerónimo de Sousa, também não se imagina que ideia nova teria ele para acrescentar.

Já em relação a Ana Gomes podemos dizer que também já fez o seu número, já passou a sua mensagem e obrigá-la a repetir a campanha feita não me parece que ela considerasse por um segundo uma boa ideia.

No caso especial do candidato apoiado pelo Chega, muitos poderão pensar que o facto de ele ter vindo a subir nas sondagens ao longo desta campanha o pudesse motivar para querer ganhar mais tempo com o adiamento. Pensando melhor, a abstenção gigante que se anuncia só o pode favorecer por duas razões: por um lado, a agressividade da campanha e o militantismo dos que a ela aderem implicará certamente que seja o menos prejudicado pela situação, sendo certo que até por isso quanto maior for a abstenção, maior será a sua percentagem nos votos expressos.

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Finalmente Marcelo Rebelo de Sousa, o atual presidente e recandidato é muito fácil de perceber que não tenha facilitado de forma nenhuma o curso desta ideia de adiar as presidenciais. Para além de se considerar naturalmente um vencedor antecipado e portanto nem precisar de se preocupar com uma abstenção que certamente o penalizará, o que ele compreensivelmente mais deseja é que esta situação se resolva depressa para voltar a ser de novo presidente a tempo inteiro. Além de que também tenho a certeza que a última coisa que lhe apetece é voltar a ter que discutir com pessoas como André Ventura e Ana Gomes temas que o deixaram visivelmente desconfortável.

*Empresário

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