Opinião

Peço desculpa, mas não quero ser irlandês

Peço desculpa, mas não quero ser irlandês

Nos últimos tempos muita da opinião publicada tem sido useira e vezeira numa comparação entre Portugal e a Irlanda.

A primeira pessoa que eu li sobre este tema foi António Horta Osório, um gerente bancário de créditos firmados nacional e internacionalmente. Claro que esta comparação entre Portugal e Irlanda que tem vindo a ser referida e debatida exaustivamente tem a ver com os números da economia e com as diferentes taxas do seu crescimento.

A pergunta lançada por Horta Osório num dos artigos ou entrevistas que li é a boleia que eu pedi para esta crónica. Interrogava-se Horta Osório se os portugueses enquanto povo (e nomeadamente enquanto povo eleitor) apesar de tudo não estarão satisfeitos com o patamar em que vivem e com o crescimento menos acentuado da sua economia a que assistem. Se interpretei bem esta pergunta do renomado banqueiro/bancário pretende ser uma provocação, mas no meu caso aquilo que eu acho é que, mesmo sem querer, acertou na mouche.

Há alguns anos, não à boleia de Horta Osório, mas à boleia da Ryanair e dos seus preços convidativos, aventurei-me a conhecer a Irlanda. Também aproveitando um pacote da mesma low-cost aluguei uma viatura e percorri durante sete dias a Irlanda de lés a lés, deixando para o fim a sua capital, Dublin. Não deixei de visitar algumas das destilarias mais famosas, vários restaurantes recomendados e paisagens e monumentos nas cidades e no campo. Deixei para os últimos dias a experiência nos famosos bares irlandeses e essa aventura irrepetível de beber cerveja negra e morna. Disse bem irrepetível, porque foi experiência que nunca me apeteceu repetir.

Depois dessa semana na Irlanda fiquei a pensar o que continuo a pensar hoje, mesmo depois de me esfregarem na cara a tal diferença bombástica entre as taxas de crescimento das duas economias.

Lamento dizê-lo, mas não trocava a minha felicidade de ser português por nenhuma promessa de sucesso económico enquanto irlandês. Como é evidente também não é possível comparar o ser português com o ser irlandês, esquecendo todo o passado histórico que essas duas formas de ser tiveram. Mesmo tentando fazer um corte com essa história e pegando só no que somos e no que temos desde que a economia da Irlanda nos ultrapassou a grande velocidade, continuo a preferir ser português com imenso prazer e muito orgulho.

Deve estar para nascer o primeiro português capaz de se apaixonar por um programa de vida que inclua beber cerveja morna a assistir ao desporto nacional irlandês - o curling - uma espécie de jogo da malha, que em vez de se atirar se põe a deslizar, acompanhada por uns senhores a fingir que são hoquistas de vassoura em punho a varrer o gelo por onde a pedra de granito desliza.

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