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Opinião

Pegadas de sucesso

Naquele comício que o dr. Mário Soares organizou recentemente em Lisboa só se ouviu dizer mal de Portugal e dos portugueses. O mote era apenas dizer mal do Governo e dos partidos que o sustentam, mas bem ouvidas as coisas, para atingir esse objetivo quase ninguém se escusou de dizer mal do país e dos compatriotas, a fazer fé nos relatos, que a mim ninguém me apanhou lá.

Quem me ler a dizer isto, pode lembrar-se que andei durante três anos, uma vez por semana, a participar num programa em que era só má-língua. Acontece que esse programa não enganava ninguém, porque logo no título dizia ao que vinha: Má-língua. Acresce que nenhum dos seus participantes era político, tinha ou tinha tido qualquer responsabilidade governativa e nunca nenhum de nós prometeu endireitar o país ou salvar os portugueses.

Bem ao contrário, as luminosas mentes que se reuniram debaixo das "saias" do ex-presidente da República já tiveram quase todos responsabilidades na governação e ainda tentam convencer-nos que é com eles e com as suas ideias que o país pode mudar e os portugueses se poderão redimir.

Esta cimeira soarista enfermou de um mal recorrente: muito diagnóstico de uma só cor (o preto carregado) e nenhuma proposta alternativa (por muito colorida que pudesse ser).

Para este conjunto de velhos do Restelo, onde nem Pacheco Pereira tem vergonha de acamaradar, tudo o que Portugal tem feito é feito "com os pés". Nem de propósito, nas duas últimas semanas Portugal e os portugueses foram notícia no Mundo por duas coisas que fazem bem, muito bem, com os pés. Usando-os, como acontece no futebol. Calçando-os, graças à qualidade das nossas indústrias de sapatos.

Mesmo em cima da hora, mesmo depois de uma fase de qualificação miserável, mesmo ao colo e às costas de Cristiano Ronaldo, o futebol português voltou a um Mundial e volta a estar nas bocas do mundo pela consistência de qualidade que denota uma série consecutiva de presenças nos palcos maiores do futebol mundial. Quem dera a muitos dos nossos setores de atividade ter a capacidade para igualar esta performance do futebol e conseguir um lugar semelhante no ranking mundial da sua atividade.

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Nesta semana foi a vez do calçado português cantar vitória, celebrando mais um grande resultado fora de portas, desta feita contra o "temido" champanhe francês. Como o nosso JN noticiou ontem, a campanha de promoção internacional do sapato nacional derrotou a da bebida francesa, não menos famosa em todo o Mundo.

Aproveito para deixar aqui um abraço de parabéns ao meu amigo Fortunato Frederico, presidente da Associação do setor, extensivo a Manuel Carlos, Alfredo Jorge Moreira e Pedro Silva, de cujo trabalho incansável em prol da promoção internacional do nosso calçado sou testemunha e é inteiramente merecedor deste e de muitos outros prémios. Aliás, é também Portugal que tem sido premiado com o aumento das exportações, que com o também tradicional e revigorado setor têxtil e do vestuário têm vindo a ajudar a aumentar e consolidar.

Enquanto Soares e os seus amigos gastam o seu tempo em jogos florais de utilidade nula ou mais do que duvidosa a lembrar passados e a escarnecer o presente, os portugueses que fazem alguma coisa pelo país reúnem-se para preparar um futuro melhor, como está a acontecer hoje em Famalicão, onde centenas de empresários têxteis discutem as formas de produzir melhor e vender mais, em mais um Fórum da ATP.

É provável que Mário Soares e os seus "compagnons de route" ainda repitam a graça mais umas vezes, incitando à violência ou apenas insinuando-a. Não faltam motivos para derreter o Governo e 2014 promete ser um ano feito à medida para estes profissionais da arruaça.

Apesar disso e porque a história é feita do tempo que passa e não apenas do que se vai passando, acredito firmemente que são notícias como as duas que aqui hoje festejei que deixarão as pegadas de sucesso.

Provando que há muitas coisas feitas com os pés que também o são com a cabeça.

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