Opinião

Procurar emprego e só encontrar trabalho

Procurar emprego e só encontrar trabalho

Sempre gostei da expressão "estar no gozo de merecidas férias". Desde logo porque quem está de férias e não está a gozá-las como deve ser é porque na verdade não está a ter férias.

Por outro lado, os que estão a ter férias sem as terem merecido, o mais provável é que estejam a gozar connosco. Finalmente, desde que comecei a trabalhar, já lá vão uns anitos, é que comecei a perceber porque é que as férias são tão boas e tão merecidas.

Neste mês de agosto, mês de férias por excelência (mesmo para quem, como eu, acha que há meses para férias muito melhores do que agosto), tenho sido surpreendido com alguns factos e algumas notícias que têm a ver com o trabalho e a falta dele, e por isso também indiretamente com as férias que deixam de ser possíveis ou merecidas para quem esteve o resto do ano sem trabalho. Acho que agora como nunca faz sentido uma outra expressão que me habituei a ouvir há largos anos e de que também gosto especialmente: "há muitos que procuram emprego, mas poucos querem trabalho".

Nas notícias do passado fim de semana, fiquei a saber que existem atualmente em Portugal quase 350 mil pessoas inscritas no Centro de Emprego e 136 mil desempregados sem direito a receber subsídios de desemprego. Os números são impressionantes, mas ficam ainda mais impressionantes quando são comparados com os factos que passo a relatar.

Data do primeiro trimestre deste ano uma experiência que me foi contada por um amigo e cliente da indústria têxtil. Estando ele a precisar de recrutar várias pessoas, fez apelo ao Centro de Emprego da sua região, que lhe arranjou mais de dez candidatos potenciais. Desses, só um é que compareceu à reunião marcada e mesmo esse explicou que só lá ia "cumprir calendário", porque com o que recebe do subsídio de desemprego, mais uns biscates que vai fazendo, não lhe compensava aceitar a proposta de trabalho.

Já neste mês, tenho relatos de amigos já chegados do Algarve que me comunicaram com espanto que a maioria dos empregados nos hotéis, restaurantes e bares por onde andaram não são portugueses. Brasileiros, angolanos, paquistaneses, nepaleses, peruanos, colombianos, filipinos e muitas outras nacionalidades.

Acresce que em muitos destes locais da hotelaria, mas também nas lojas que na sua maioria reabriram em 2021, há cartazes a oferecer trabalho. Tendo em conta que este panorama parece efetivamente generalizado, fica no ar a sensação de que realmente nos dias que correm parece mesmo haver muita gente que procura emprego, mas não quer trabalho.

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Claro que tenho que ressalvar todos aqueles desempregados que não entram nesta classificação e a quem aqui deixo uma palavra de solidariedade e um estímulo para que não desistam de procurar trabalho, porque oferta de emprego não falta.

*Empresário

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