Opinião

Puxar a brasa à minha sardinha

Puxar a brasa à minha sardinha

Esta é a primeira quarta-feira do nosso mais que ansiado desconfinamento. Apesar de ter uma paixão especial por trocadilhos, prometo não fazer nenhum nesta crónica sobre o desconfinamento ou o verbo desconfinar. Na verdade, desde o passado fim de semana que julgo que no que toca à Comunicação Social portuguesa estão já esgotados todos os literalmente possíveis. Já uma coisa que não prometo é não puxar a brasa à minha sardinha, logo agora que acabamos de saber que a União Europeia foi uma autêntica mãos largas no que toca à possibilidade dos nossos pescadores abarrotarem os seus barcos de sardinha. Presumo que as festas oficiais dos Santos Populares continuam confinadas, mas para todos os que se abalançarem a tratar da sardinha em casa ou nos restaurantes, este ano não será por falta de sardinha que não há festa.

Cumprindo então o prometido acima, gostava de salientar o decisivo papel que a nossa indústria têxtil e vestuário desempenhou, desempenha e vai continuar a desempenhar, para que esta primeira quarta-feira de desconfinamento possa estar a acontecer e, assim esperemos, muitas outras se sigam. Ainda só podíamos sonhar com o desconfinamento e a nossa indústria têxtil, a principal associação do setor (ATP) e o seu Centro Tecnológico meteram mãos (e cabeça) à obra para que o combate à pandemia pudesse iniciar-se na maior segurança possível e com produtos made in Portugal.

A resposta do setor já enaltecida e elogiada por cá e no estrangeiro, esteve e continua a estar a cargo de muitos empresários, colaboradores e dirigentes associativos que se traduziu numa apresentação de quase dois mil novos produtos para certificação no CITEVE, que não se tem poupado a esforços, mesmo fora dos seus horários normais de expediente, para responder a esta enorme onda de solicitações para uma certificação que é impossível ser imediata, para não deixar de ser segura e rigorosa.

Para quem trabalha como eu há mais de 30 anos com esta gente, não é surpresa nenhuma. Não foi por causa desta situação de emergência que a ITV portuguesa ficou a saber que reinventar-se é um verbo que conjuga com frequência. Não é a primeira vez e não será a última que as nossas empresas têxteis precisam de acudir ao país em crise e sobreviver às crises do mercado. Como também não foi por causa da covid-19 que ficamos todos a saber que temos um setor permanentemente inovador e um Centro Tecnológico de referência internacional.

Talvez o país tenha ficado a conhecer melhor esta indústria que nunca o abandonou. Mesmo nos tempos em que o país político tentou abandoná-la.

*Empresário

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