Opinião

Rangel nunca ganharia por falta de comparência

Rangel nunca ganharia por falta de comparência

Finalmente Rui Rio acabou com o tabu e decidiu recandidatar-se a líder do PSD. Se a sua decisão tivesse sido outra, iria Paulo Rangel ganhar por falta de comparência? Aposto que não.

Depois de terem cantado vitória nas últimas autárquicas, ninguém diria que PSD e CDS (mas sobretudo o PSD) estivessem nesta altura embrenhados em lutas internas, praticamente sem quartel. Do lado do CDS, já não se imagina como é que os perdedores do próximo congresso conseguirão ficar a coabitar num partido que corre realmente risco de desaparecer do mapa, sobretudo se algum dos lados em combate ainda contribuir para o seu definhamento no final do processo eleitoral interno.

Ainda antes de se conhecer a decisão de Rui Rio, já tinha duas coisas como certas. Certezas essas que tentei aliás rentabilizar numa aposta, porém os meus amigos que são de apostas como eu pensam o contrário do que eu penso, mas não se atreveram a apostar.

A primeira certeza que tenho é a de que Rui Rio só se recandidataria se tivesse a convicção de que ganhará sem margem para dúvidas. A segunda certeza que tenho, no caso de ele não se ter recandidatado, é a de que Paulo Rangel não só não seria o único candidato, como teria assistido a uma debandada quase generalizada de muitos dos apoios que só têm surgido estribados no espírito anti-Rio.

Devo dizer que era minha convicção antes das autárquicas que o ainda líder do PSD tencionava sair na sequência de uma derrota autárquica na linha do que previam quase todas as sondagens. Derrotadas as sondagens nas urnas, ficou atenuada a derrota do PSD e por isso ficou também adiada, na minha opinião, a intenção de saída do líder social-democrata. Intenção essa que podia ter encontrado um novo alento muito mais cedo do que ele esperaria com os resultados que lhe foram adversos do último Conselho Nacional do partido. Digo isto colocando-me na pele de Rui Rio e pensando que uma chegada ao Governo, não sendo em forma de bloco central nem se prevendo fácil para as legislativas de 2023, só poderia eventualmente ocorrer em 2027. Muitos anos de espera e tarde demais para quem tem a idade que Rui Rio tem. Pelos vistos, ainda bem que não quiseram apostar comigo, porque se calhar perdia a aposta.

Já no que toca ao avanço de Paulo Rangel, julgo que só está a acontecer à velocidade e com os apoios que têm sido públicos porque todos os notáveis e menos notáveis que não gostam de Rui Rio nunca acreditaram que ele saísse de cena, mas também acreditam pouco que seja possível derrotá-lo em eleições internas.

*Empresário

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