Opinião

Saída de cordeiro, entrada de Leão

Saída de cordeiro, entrada de Leão

Com as muitas primaveras que já levo nesta vida, uma das coisas que espero ter aprendido é que é fundamental saber sair bem. Sair bem pode não ser sair a bem. Sair bem é na perspetiva do próprio e às vezes sair a bem é só fazer a vontade a quem nos quer ver pelas costas.

Como é evidente, como sempre o ideal é juntar o melhor dos dois mundos, sendo possível sair bem saindo também de bem com todos. A saída de Mário Centeno do Governo, que ontem aterrou nas redações com mais estrondo que espanto, configura na minha opinião a tal boa saída que não provavelmente uma saída a bem. À hora a que escrevo, ainda não conheço todos os pormenores e desenvolvimentos deste caso e até posso imaginar que com a habilidade política do nosso primeiro-ministro e do nosso presidente da República, esta saída venha a ser contada como uma saída a contento de toda a gente. De qualquer forma e muito sinceramente acho que essa questão é acessória mesmo que não irrelevante, mas o que eu gostava aqui de enfatizar era mesmo a ideia de que Mário Centeno saiu no timing certo naquilo que é o seu ponto de vista e naquela que será a análise que ele fará (e muitos outros farão) do seu percurso político.

Depois do seu desempenho o ter guindado até à excelsa categoria de Cristiano Ronaldo das Finanças e com as perspetivas existentes derivadas da crise em que estamos, fácil é de prever que daqui para a frente dificilmente o seu desempenho poderia vir a ser considerado melhor do que já foi. Depois do brilharete do superavit, por muito que ele dedicasse toda a sua competência e empenhasse toda a sua capacidade de trabalho não se descortina que outra façanha ou outro número do défice pudesse acrescentar um pingo que fosse aos elogios de que já é credor.

Aquilo que eu entendo por sair bem não tem a ver nem com a idade que se tem, nem com as capacidades que se mantêm, nem com os resultados que se atingem, nem com a vontade de terceiros, mas apenas e só com uma simples e concreta constatação: um ministro, um jogador de futebol, um presidente é até um Papa saem bem quando saem no preciso momento a partir do qual percebem que o seu desempenho futuro, mesmo que possa ser bom, nunca será melhor do que já foi.

Dito isto, provavelmente poucos discordarão, mas infelizmente na maioria dos casos, o que é mais difícil é conseguir ter a lucidez para perceber isto ao mesmo tempo que os que nos rodeiam e de preferência até antes deles.

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