Opinião

São as novas gerações, habituem-se!

São as novas gerações, habituem-se!

Não é segredo para ninguém que o Mundo mudou muito nas últimas décadas e mudou muitíssimo nos últimos anos. Uma das coisas que mais mudaram e que mais mudanças têm acarretado é a diminuição abrupta do número de anos que passou a ser considerado necessário para que exista uma mudança de gerações.

Não falta quem pense que quando se vê uma pessoa mais velha a criticar uma pessoa de uma geração mais nova, é porque se trata de alguém que não sabe envelhecer e não consegue olhar para os mais novos, lembrando-se de como ele próprio pensava ou agia quando mais novo. Devo confessar que se calhar já fiz esta crítica algumas vezes, mas vou dar o meu melhor para que esta crónica não consiga suscitar esse tipo de reação nos estimados leitores mais novos do que eu. Convém esclarecer desde já que o assunto que aqui me traz nem pode nem deve ser considerado como uma crítica, mas apenas como uma constatação. Entendo o que vem a seguir como um facto recorrente e nem sequer me atrevo a valorizá-lo, sendo certo que também é um tipo de comportamento que a sociedade atual não pode desvalorizar. Começando pelo princípio, julgo que muitas das mudanças de atitude e de comportamento das gerações mais novas, que as gerações mais velhas têm menos facilidade em compreender e aceitar, têm sobretudo a ver com a duração média atual daquilo a que se convencionou chamar uma geração. Há pelo menos 30 anos uma geração "aguentava" mais ou menos 30 anos. Nos dias de hoje não sei se aguenta uns míseros 10. Basta pensarmos naquilo tudo que mudou nos últimos 10 anos e perceber que há umas décadas, se calhar, nem em 30 anos mudava tanta coisa. Esta alteração radical dá cabo da cabeça das gerações mais velhas que têm muitas dificuldades em perceber que alguém 10 aos mais novo pertence a uma nova geração. Muitos dos mais velhos, porque estavam habituados a outros números, só estão disponíveis para dar o "desconto" quando a diferença de idades se aproxima daquilo que eles sempre consideraram ser o mínimo de anos suficiente para se poder falar de outra geração. Lamento ter de dizer a essas pessoas que convém que se preparem para mudar o chip. Alguém com menos 10 anos do que nós só pode ser considerado da nossa geração por acaso ou por engano.

Feita esta contextualização já me sinto mais à vontade para poder fazer a minha queixinha ou reclamação. Que consiste no seguinte: os jovens de hoje querem ser aplaudidos pelos seus projetos, enquanto criticam severamente o que os outros fazem ou fizeram. Ora aqui está o meu ponto, que considero factual, de experiência feito e já de seguida aqui vai a minha critica. Se é verdade que temos de fazer um esforço para compreender o que não gostamos em alguém 10 anos mais novo, esse "jovem" também tem de aprender que alguém 10 anos mais velho nem tudo o que fez na vida é já para deitar fora.

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*Empresário

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