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Opinião

Trocar o corpo pela alma

Trocar o corpo pela alma

É preciso ter calma para dar o corpo pela alma? Não foi seguramente para ter calma que o meu amigo Pedro Abrunhosa trocou o corpo pela alma no seu novo espetáculo, a que tive o prazer e o privilégio de assistir no passado fim de semana.

O novo conceito pode parecer pensado para ter mais alma e menos corpo, mais para pensar do que para entreter, como o próprio autor esclareceu logo a abrir, mas tenho a certeza que não é menos exigente para o artista. Nem menos divertido para o público.

Dar o corpo pela alma é sempre mais fácil e mais simples do que puxar pela alma, que é uma coisa que também nos sai do corpo. Pelo menos para pessoas de alma grande, sem dúvida o caso do Pedro Abrunhosa que reinventou um espectáculo onde consegue não se esquecer de nada nem de ninguém. Estão lá os pais, com quem sempre caminhou. Os mais desfavorecidos de todo o Mundo, cujos caminhos sempre quis tornar mais leves. Está lá o Coliseu, que permanece acorrentado aos seus pensamentos. Os músicos, cada vez mais e melhores, que vão entrando paulatinamente, como paulatinamente foram entrando na sua carreira de sucessos e que da mesma forma homenageia em palco, numa sucessão virtuosa de solos.

Também não se esqueceu do público, dos seus diferentes públicos, arrebatados ao longo de uma carreira em que primeiro lhes deu (e pediu) mais corpo e agora lhes quer dar (e pedir) mais alma. Um público unido, mas não uno, que Abrunhosa quer agora ver mais a pensar do que a saltar, mas para quem construiu um novo divertimento com a alma aos sobressaltos.

Este novo espetáculo é a prova de que Pedro Abrunhosa é mesmo capaz de fazer o que ainda não foi feito porque não desistiu de nós, nem de nos iluminar. É também a certeza de que ele ainda pode mais, porque tem tudo para nos dar como se fosse em cada dia o nosso olhar.

Felizes os que podem aproveitar. Cada dia em que o ouvimos é um dia a respirar.

*Empresário

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