Opinião

Valor de Moedas está em bitcoins

Valor de Moedas está em bitcoins

Aproveitando esta oportunidade de estarmos finalmente em plena campanha eleitoral para as eleições autárquicas (quem diria?), gostaria de salientar a diferença que pode existir entre ser candidato e ser autarca.

Claro que isto escrito assim de uma forma geral corre o risco de parecer muito vago pelo que será melhor restringir já esta comparação ao principal cargo em disputa. Deixando os presidentes de Junta para a magnífica sátira a que temos podido assistir todas as noite na TVI (no Festa é Festa) concentremo-nos nos presidentes de Câmara.

Há muitas vezes uma diferença gigante entre ser um bom candidato a presidente da Câmara e ser um bom presidente de Câmara. Esta comparação tem obviamente dois ângulos de observação. Existem casos conhecidos de quem foi um bom candidato, um candidato vencedor com maioria absoluta e depois se transformou numa completa desilusão como presidente de Câmara. A propósito deste lado da questão não é preciso gastar muitas linhas. Eu diria que basta escrutinar todos aqueles presidentes de Câmara que depois de terem sido eleitos com maioria absoluta ou pelo menos confortável não conseguiram ser reeleitos nas eleições seguintes.

Prefiro concentrar-me na questão daqueles candidatos que são um desastre em campanha, mas cuja derrota, até estrondosa, nos deixa a sensação de que se ficou a perder um bom presidente de Câmara. Abordar este tema nestas autárquicas parece-me muito evidente porque é exatamente isso que eu descortino quando olho para a campanha que tem sido feita na primeira Autarquia do país, Lisboa. Quando foi anunciada com alguma pompa e muita circunstância a candidatura de Carlos Moedas, a reação generalizada dos comentadores e outras pessoas muito ligadas à política foi a de que tinha sido uma grande escolha do PSD e que estava em marcha uma candidatura que poderia suscitar grande abrangência e disputar até ao último voto a vitória na Câmara de Lisboa contra Fernando Medina.

Devo dizer que logo nesse dia, concordando que o PSD tinha encontrado um nome forte e com muito pedigree, ia esperar para ver como é que Carlos Moedas se comportaria como candidato. À data de hoje julgo que já não serei o único a concordar que a campanha que foi capaz de fazer até à data não correspondeu às melhores expectativas nascidas no dia em que foi apresentado.

Só no dia 26 é que teremos a prova dos nove, mas embora valendo o que valem, todas as sondagens nos vão dizendo que o Moedas está muito longe de poder ter um resultado brilhante. Apesar disso, também não devo ser o único a pensar que Moedas, sendo um candidato desastrado, poderia dar um bom presidente.

Como acontece com as bitcoins, Moedas prometeu muito, mas vamos ter de esperar mais alguns anos para conhecer o seu real valor.

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