Opinião

Voto útil para que as eleições não sejam inúteis

Voto útil para que as eleições não sejam inúteis

Tanto quando se sabe o segredo menos bem guardado da política portuguesa só será revelado pelo presidente da Republica à hora dos telejornais de quinta-feira.

Embora não tenha nenhuma toupeira no Palácio de Belém (como aquelas que alegadamente o Benfica tinha nos tribunais) já dou como certo que o professor Marcelo vai anunciar a dissolução da AR e a convocação de eleições antecipadas. Imagino que para a maioria dos leitores esta revelação não esteja à altura da revelação do segredo de Fátima, mas aqueles que ainda aguardam que o presidente da Republica nos pregue uma partida não vale a pena continuarem a ler.

Tendo em conta o que disse antes gostaria de fazer aqui um apelo a todos os eleitores de Direita e de Esquerda. Para que este apelo possa resultar, seria preciso que os eleitores que gostam de ser colocados ao Centro fossem capazes uma vez na vida de conseguir escolher entre Direita e Esquerda .

Este meu apelo se tem alguma coisa de original e de diferente dos habituais apelos dos políticos e dos partidos é porque não descrimina nenhum português. Normalmente cada partido apela ao voto nos seus candidatos e cada candidato apela ao voto no seu partido. Neste caso, eu quero apelar a todos os eleitores embora o destinatário do voto de cada um não seja o mesmo. É por isso que aos eleitores de Direita apelo ao voto no PSD e aos eleitores de Esquerda apelo ao voto no PS. Não vou mentir a dizer que a vitória final me é indiferente e por isso confesso que preferia que fosse o PSD a ganhar. Mas o que me interessa mesmo é que PSD ou PS possam ter maioria absoluta para que ganhe quem ganhar, o país consiga atingir a estabilidade que desejo. Para reforçar esta ideia devo dizer que entre a Direita ganhar sem maioria, ou o PS ganhar com maioria, prefiro a segunda solução.

A garantia de estabilidade que uma maioria absoluta confere à legislatura é a principal razão do meu apelo. Mas existe também uma segunda razão. Se como alguns peritos já preveem (e não digo sondagens porque já sabemos como andam as sondagens atualmente) o resultado final das próximas eleições não conduzir a um figurino de deputados muito diferente do atual (com mais uns deputados do Chega e menos uns do Bloco e do PCP) sendo improvável e até imoral que a geringonça se possa reeditar, o que vai acontecer e já alguns politólogos começaram a criar ambiente, é o regresso do Bloco Central.

Termos um Bloco Central a anular alternativas, a gerir o PRR e a contribuir para a inflação dos extremistas, era mesmo a última coisa que Portugal precisava.

*Empresário

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