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Margarida Fonseca

#pataepeta

A evolução é inevitável, com outros conceitos e formas diferentes de educar. Mas não estaremos a fomentar uma maneira encapotada de censura quando se aceita que haja mudanças questionáveis em nome de novas teorias? O grupo internacional de defesa dos animais PETA, que apela ao veganismo, quer acabar com a "linguagem antianimal". Assim, "pegar o touro pelos cornos" deverá ser "pegar nas flores pelos espinhos", "matar dois coelhos com uma cajadada" transforma-se em "alimentar dois coelhos de uma vez só" e "mais vale um pássaro na mão do que dois a voar" será "mais vale um pássaro a voar do que dois na mão". Tudo isto para que as palavras sejam simpáticas para os animais, os outros, porque nós também o somos, embora nos digamos racionais. E a minha racionalidade diz-me que não é a proibir expressões que se mudam comportamentos violentos. Até porque acredito que ninguém as levará à letra (tirando os forcados no caso dos touros) e que, na história das flores e dos espinhos, se fosse a minha tia amiga das flores, diria: "Tira mas é as patas daí!".

Margarida Fonseca

#voucasar

Dizem as estatísticas que no ano passado casaram, em Portugal, mais 1235 do que em 2016 e houve menos 719 divórcios. A idade média dos noivos foi 32 anos e a dos divorciados 45. Ora bem: ando a acompanhar o "Casados à primeira vista", programa que a SIC rotulou de "experiência social". Li algures que foram 700 as pessoas que se inscreveram para entrar no programa, com o objetivo de encontrar o "match". "Match"? Sim, o par perfeito, o príncipe ou a princesa encantados, a pessoa ideal. Ou seja, andam por aí muitas Carochinhas à procura do João Ratão. O problema é que esta história tem um final terrível: o noivo rato cai no caldeirão e lá fica a Carochinha sozinha, outra vez. É como no programa: os concorrentes aceitam que especialistas lhes apontem um par e vão para o desconhecido. Primeiro até entram na festa, depois nem a presença das câmaras os demove a reclamar direitos e deveres. O que me faz confusão é a facilidade com que anunciam o que vão fazer legalmente. Dizem "vou casar" com o mesmo tom de "vou à praia porque está calor". É muita areia...

Margarida Fonseca

#password

Ando, há mais de um mês, numa "guerra" com o site da Segurança Social por causa da password. Quando consegui aceder, depois de horas e horas a escolher fotos para provar que não sou um robô (um par de estalos a quem inventou isto como forma de segurança), o raio do sítio daquele organismo público pede o "código de verificação" que me terá sido enviado. Mas eu não recebi nada. Nem por carta, nem por mensagem, nem por via eletrónica. Portanto, aqui há coisa: há mais Margaridas na terra e alguma recebeu algo meu ou o site é uma grande porcaria. Ok, ok. Já sei que muitos vão dizer que sou eu a culpada, vão gabar-se que conseguiram à primeira... Obrigada. Rendo-me se por acaso fiz alguma asneira. Friso, todavia, que já fui a uma loja da Segurança Social, esperei três horas para ser atendida e fiquei a olhar para uma funcionária que não conseguia parar de escolher imagens para provar que não era um robô (também ela?). Ontem, depois de ver que entre deputados do PSD é normal trocar passwords, resolvi perguntar: algum está disposto a ceder-me a senha da Segurança Social? É só para reclamar uma dívida de baixa médica.

Margarida Fonseca

#chega!

Não vou falar do caso que envolve Cristiano Ronaldo. Aguardo, como deve ser, as conclusões do processo. Vou falar de violação. Das mulheres que, a cada minuto, pelo Mundo, são violadas. E que, depois, ficam caladas, são silenciadas, humilhadas, descredibilizadas. Repito: não quero referir-me às alegadas acusações ao jogador. Mas, por causa delas, tenho ouvido e lido frases que me fazem sentir enxovalhada, envergonhada, triste. A facilidade com que se fala de uma violação dá a entender que o "não" de uma vítima não tem valor. E que se inventam violações. E que os homens são todos potenciais violadores. Isto para não falar do mito que alguns cultivam que qualquer mulher "sonha" ser violada. Se assim fosse, que monstros seríamos. Quem se acha o melhor dos seres humanos deveria, antes de emitir opiniões sem sentido, pensar na sua mãe, nas suas irmãs, nas suas filhas. E imaginar como ficaria se elas fossem violadas. E pensar no seu pai, nos seus irmãos, nos seus filhos. E imaginar como reagiria se eles fossem violadores. Pensem nisto. Chega!

Margarida Fonseca

#armas

Quando comecei a conduzir ouvi repetidas vezes que um carro é uma arma. Não sei se era porque tinha mania de acelera, mas a verdade é que interiorizei o conselho e ponho todos os sentidos em alerta quando vou para a estrada. Percebi rapidamente que tal frase não é dita a toda a gente, sobretudo quando parava num cruzamento e ouvia logo buzinar atrás de mim, mesmo que houvesse uma "direita" a respeitar. Nos últimos tempos tenho reparado que há muitas "armas" ativadas. E que são muitos os que deveriam voltar a ver o Código da Estrada, porque esqueceram regras fundamentais. Aprenderiam que os piscas não são para usar quando estacionam em segunda fila, que a faixa central de uma autoestrada deve ser usada apenas para ultrapassar, que os "Stop" querem dizer paragem obrigatória, que não há prioridade para quem sai do quintal de casa para a estrada e que os traços contínuos proíbem a ultrapassagem. Há mais exemplos e maus. Como a circulação nas rotundas ou as obrigações dos ciclistas. Mas o espaço não chega. Fica a consciência.