Imagens

Últimas

Margarida Fonseca

#chega!

Não vou falar do caso que envolve Cristiano Ronaldo. Aguardo, como deve ser, as conclusões do processo. Vou falar de violação. Das mulheres que, a cada minuto, pelo Mundo, são violadas. E que, depois, ficam caladas, são silenciadas, humilhadas, descredibilizadas. Repito: não quero referir-me às alegadas acusações ao jogador. Mas, por causa delas, tenho ouvido e lido frases que me fazem sentir enxovalhada, envergonhada, triste. A facilidade com que se fala de uma violação dá a entender que o "não" de uma vítima não tem valor. E que se inventam violações. E que os homens são todos potenciais violadores. Isto para não falar do mito que alguns cultivam que qualquer mulher "sonha" ser violada. Se assim fosse, que monstros seríamos. Quem se acha o melhor dos seres humanos deveria, antes de emitir opiniões sem sentido, pensar na sua mãe, nas suas irmãs, nas suas filhas. E imaginar como ficaria se elas fossem violadas. E pensar no seu pai, nos seus irmãos, nos seus filhos. E imaginar como reagiria se eles fossem violadores. Pensem nisto. Chega!

Margarida Fonseca

#armas

Quando comecei a conduzir ouvi repetidas vezes que um carro é uma arma. Não sei se era porque tinha mania de acelera, mas a verdade é que interiorizei o conselho e ponho todos os sentidos em alerta quando vou para a estrada. Percebi rapidamente que tal frase não é dita a toda a gente, sobretudo quando parava num cruzamento e ouvia logo buzinar atrás de mim, mesmo que houvesse uma "direita" a respeitar. Nos últimos tempos tenho reparado que há muitas "armas" ativadas. E que são muitos os que deveriam voltar a ver o Código da Estrada, porque esqueceram regras fundamentais. Aprenderiam que os piscas não são para usar quando estacionam em segunda fila, que a faixa central de uma autoestrada deve ser usada apenas para ultrapassar, que os "Stop" querem dizer paragem obrigatória, que não há prioridade para quem sai do quintal de casa para a estrada e que os traços contínuos proíbem a ultrapassagem. Há mais exemplos e maus. Como a circulação nas rotundas ou as obrigações dos ciclistas. Mas o espaço não chega. Fica a consciência.

Margarida Fonseca

#escravos

Tinham todos ar de férias. Os copos de cerveja na mesa, as gargalhadas e as piadas eram confirmação. De repente, o tom de conversa baixou. Só ficou uma voz, a de um dos homens, a falar "dele". Percebi que falava do filho. Procurara trabalho e as respostas aos muitos currículos enviados indicavam um caminho: a precariedade. O grupo alargou a conversa. E os lamentos. Houve quem lembrasse queixas divulgadas este ano sobre a falta de mão de obra no Algarve. "Queriam pagar a 2,5 euros a hora". "No Algarve? Precisas de ir tão longe? E no Norte? E no Centro". E todos começaram a falar ao mesmo tempo. O turismo já não era o único mau da fita. "E os hipermercados? E o Estado e os seus assistentes hospitalares e escolares?". Cada um usou o "seu caso" (ou os seus filhos) para revelar dificuldades: 30 anos e ainda a viver com os pais; 28 anos, com mulher e filho, a precisar de uma mesada dos pais; cursos atrás de cursos à procura de saída; depressões, desilusão. Deixei-os a partilhar queixas. Saí a olhar para o chão. Com o meu "caso" comigo. Que país deixa que o futuro se faça à custa de escravos? Século XXI, uma ova!