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Margarida Fonseca

#agostiar

Andamos um ano à espera das férias grandes, julgando que serão cura para maleitas de stresse. Escolhemos agosto porque mês de encontros com quem mais gostamos. Penduramos o trabalho no cabide e cumprimos planos traçados. Sabemos, porém, que essa é uma tarefa difícil e que, quando acabarem os dias de calções e chinelos, corremos o risco de estar mais cansados do que antes. Feiras, esplanadas, restaurantes à beira-mar, piscinas públicas, música ao ar livre, praias depois das 10, zonas para piqueniques e terras com romarias são locais que estão sempre com lotação esgotada. E os hipermercados? Ai os hipermercados. Prateleiras com falhas a partir da manhã, filas em cada balcão e em cada caixa, famílias a ver preços e promoções em jeito de passeio. Só com espírito português consigo sobreviver. Deixo-me ir, desacelero e penso: "Deixa lá. Não "agosties" com isto".

Margarida Fonseca

#lua

Não me lembro da chegada do homem à Lua. Soube, mais tarde, que a novidade chegara lá a casa via rádio porque televisão era "coisa da Metrópole". No dia em que o meu pai me contou, como podia, esse "passo gigante para a Humanidade" a Lua estava brilhante como sempre. As noites em África assim o permitem. Mais tarde, deliciei-me com os relatos de aventura. Tive um tio que nunca aceitou a existência de uma "Apollo 11" ou de um "Amstrong". "Americanices, formas de mandar no Mundo", dizia ele, aos berros, sempre que se falava no assunto. Ninguém o contrariava. Já estava velhinho e não havia necessidade. Tal como o meu tio, ainda há quem rejeite que o homem esteve na Lua. Há 50 anos. Não serão lunáticos ou aluados nem terão a cabeça na Lua. Serão do contra, sustentando teorias que obrigam a justificações. Acabam-se os mitos, ganhamos com informação.

Margarida Fonseca

#apaixonados

A Estrela e o José são meus amigos. Desses que estão sempre prontos, atentos, disponíveis. Viveram comigo dias difíceis, com mimo e raspanetes no momento certo. Tenho sorte, muita sorte, de tê-los a meu lado. Perguntarão os leitores: o que temos a ver com isso? Eu explico. A Estrela e o José são um dos casais que conheço que não conseguem esconder que ainda estão apaixonados, mesmo à beira de fazer 47 anos de união. Se juntarmos o namoro serão 50 os anos que caminham juntos. "Sempre lado a lado", diz a Estrela. "Não me imagino sem ela", afirma José. Não era preciso que me dissessem isto. Vejo esse amor que venceu tudo em pequenos pormenores. Um deles é que a Estrela e o José olham-se nos olhos. Sorriem um para o outro. Tocam-se sem motivo. Nos tempos que vivemos, cada vez mais longe uns dos outros, assoberbados por compromissos sem relógio, por imposições sociais que nos podem condenar à solidão, ver a Estrela e o José de mãos dadas deixa-me emocionada. Diria até com um pouco de inveja desse amor que cresceu com o tempo, apesar das cedências, dos amuos, de terceiros. Apaixonam-se todos os dias. Fazem render o amor. E ainda me dão um bocadinho. Bem hajam.

Margarida Fonseca

#homenzito

O juiz desembargador Neto de Moura, conhecido pelas decisões polémicas em casos de violência doméstica, vai levar mais duas pessoas a tribunal: a líder do BE, Catarina Martins, e o humorista Diogo Batáguas. Juntam-se a Ricardo Araújo Pereira, a Bruno Nogueira, à deputada bloquista Mariana Mortágua e aos comentadores Joana Amaral Dias e Manuel Rodrigues. Alegadamente, todos excederam a sua liberdade de expressão nas críticas ao juiz do Tribunal da Relação no Porto. "Retrógrado", "misógino", "machista", "obscurantista" e "arrogante" são palavras de que Neto de Moura não gostou. Mas há coisas piores. Como considerar "compreensível" que um homem bata numa mulher se esta o "humilhar", palavras escritas pelo juiz em acórdãos públicos. Junto-me à liberdade excedida: para mim, Neto de Moura é um "homenzito". E agora? Tenho ou não um processo?