O Jogo ao Vivo

Opinião

#corpo

Quem de nós vai atirar a primeira pedra e julgar os que gostariam de ter um corpo diferente? Eu não. Mentiria se dissesse que a imagem que o espelho me mostra é totalmente agradável.

"Ninguém está bem com o que tem", dizia a minha mãe, perante discussões absurdas com uma das minhas irmãs, que nasceu loura e escultural, ao contrário de mim, morena, cabelo rebelde e mais para o atarracado. Aprendi a gostar do meu corpo com o avançar dos anos. Também não tenho outro remédio: sou completamente avessa a seringas, bisturis e anestesias, e a saúde (ou a falta dela) já me pôs à prova várias vezes. Escrevo isto após muitas versões do que aconteceu ao ator Ângelo Rodrigues, de 31 anos, ainda a lutar pela vida num hospital, com uma infeção generalizada, depois de, supostamente, ter injetado testosterona para ficar mais musculado. Ouço dizer que, se sobreviver, a sua reabilitação será muito dura e que o corpo, que procurou ter, não será o mesmo. Ouço isto e arrepio-me. E volto a lembrar palavras de minha mãe: "Se nos moldássemos como queríamos, acabávamos num simples monte de carne e ossos". Que o Ângelo, que não conheço, resista. Para aceitar a vida, mesmo com as pedras que ela atira.

* JORNALISTA