Opinião

#amor

Há três anos perdi uma gata. A Tita. Era a minha gata, nunca deixando que a "outra" gata, a Cuqui, se aproximasse mais de um minuto de mim. Era a "outra" porque foi o meu filho que ela adotou.

E o meu filho percebia que a Tita me tinha escolhido. No dia em que a levei, embrulhada na sua manta, para acabar com o seu sofrimento, dez anos depois de a ter acolhido, senti uma dor imensa. Que alguns não perceberam. Poucos, mas houve quem achasse excessivo que falasse de luto. Porque é de luto que se trata. Vivo agora o mesmo pesadelo. Com a Cuqui. Também um cancro, este mais exposto e mais agressivo. Trato dela como se desejasse haver cura. Não há. Sei que são meros paliativos o que lhe estou a administrar. Ela tem mostrado uma garra que me dá forças quando sinto que o chão voltará a abrir-se. Sei que terei, muito em breve, de tomar a decisão. E que a manta onde ela ainda se deita será o único aconchego que lhe posso dar. Irei com amor puro ao colo, que dura há oito anos, e virei com a dor de mais uma perda. Não darei, desta vez, uma resposta a quem considerar "demasiado" chorar a ausência de um animal. O amor é amor. Não tem pelos nem penas. Tem lugar.

Jornalista