Opinião

#"boralá

A inspiração abandonou-me ontem. Já estava a arrancar cabelos quando percorri a Internet, percebendo que era inevitável não falar do assunto do momento: o fim de mais um ano. Custa-me sempre olhar para o passado e senti-lo tão presente. Custa porque a frase "parece que foi ontem" faz sempre sentido. Mas pronto. Sem inspiração o que fazer? Falar do inevitável. Mesmo que o inevitável, o ano novo que chega amanhã, me deixe sempre dividida entre o medo e a esperança. Medo de que a esperança em mais sorrisos se traduza em nada, esperança de que o bom que ainda não vivi esteja aí, à minha espera. Sinto sempre nostalgia quando bate a última badalada da meia-noite. É o mesmo sentimento que tinha, em pequena, quando chegava a última noite de férias. Ficava triste, num canto, não sabendo como explicar por que não aproveitava os últimos momentos de dias felizes. Hoje sei que se chama "nostalgia da perda" a esses instantes em que a saudade do passado, ainda que recente, nos deixa como manteiga a derreter ao sol. Não vou fazer balanços do ano que acaba. Nem farei promessas para o que vem. Quero vê-lo como um desafio, como uma parede branca onde procurarei desenhar cada dia. O resto... logo se vê. "Bora lá? Bom ano, querido leitor.

JORNALISTA