Opinião

#bolo

Há um mês, ao entrar em casa, cheirou-me a bolo. E havia bolo. Fofo e grande como os que a minha mãe fazia aos sábados.

Sábado era dia de bolo e se, por acaso, ela se atrasasse na cozinha, o meu filho perguntava-lhe se não havia "bolo de sábado". Agora, é às quartas. São as mãos da Maria José, o meu anjo na terra, que tratam de cada fornada.

Mas continua a ser "bolo de sábado", porque cheira a canela ou a laranja ou a chocolate. E porque a Maria José sabe das saudades que temos dos cheiros dos cozinhados da minha mãe.

Em véspera de domingo de Páscoa, só nas memórias vou encontrar os cheiros da massa a levedar, do tempero do cabrito, do açúcar a derreter nos folares quentes. E da lavanda que se soltava da toalha branca de renda onde se pousavam os doces e o vinho do Porto. E das flores cortadas que faziam caminho para o compasso. Pode um bolo ser inspiração? Pode. Se tiver uma pitada de sentimento.

*Jornalista