Opinião

#gatices

No dia em que se soube que havia uma gata rica em França tive um pesadelo.

Nele, aparecia a Cúqui, a gata preta lá de casa, com um olhar ameaçador. Perguntei-lhe se era porque lhe troquei as voltas e comprei uma caixa de biscoitos mais baratos, mas volvidos minutos, veio a causa da fúria: a Choupette, o animal de estimação do estilista Karl Lagerfeld. Num tom alterado, berrava, num gatês com sotaque à Porto (terra de onde a resgatei da rua, ainda ela tinha o cordão umbilical), que não me perdoaria se não lhe abrisse uma conta no Facebook e no Instagram, não lhe criasse um e-mail e não a tornasse numa estrela, tão famosa que teria o ordenado de um CEO. Mais: que deveria fazer um testamento onde ficasse claro que ela seria uma das minhas herdeiras, mas que dispensava que as minhas cinzas se juntassem às dela. Prometeu-me, pondo uma das patas dianteiras no peito, que faria o luto como uma verdadeira lady. Dito isto, saltou com ar impiedoso para a minha cara. Acordei no chão. De quatro. No tapete, a Cúqui, abanava a cauda com ar doce e sereno. Miava. Normalmente. Decidi marcar férias para breve.

*JORNALISTA